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TRANSMISSÃO

Transmissão de dados da estação sismológica em MT deve ser reativada

Marcia Jordan

18/08/2014 às 07:59

Transmissão de dados da estação sismológica em MT deve ser reativada

Técnicos do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) devem visitar a estação sismológica em Porto dos Gaúchos, a 644 km de Cuiabá, em setembro deste ano, para coletar os dados registrados nos últimos meses naquela região e reativar a transmissão de dados via satélite. A região foi palco do maior terremoto já observado na história do Brasil, ocorrido no dia 31 de janeiro de 1955, com magnitude de 6,2 pontos na escala de Richter. A visita é necessária porque a transmissão de dados da estação para o Observatório está inativa devido a um problema no link com o satélite.

Após a visita, os técnicos devem elaborar um relatório sobre os abalos ocorridos na região desde a última análise, feita no começo deste ano. Mato Grosso conta com outras cinco estações sismológicas e quatro delas estão com a transmissão via satélite ativa, e caso algum evento significativo tivesse ocorrido em Porto dos Gaúchos, essas estações teriam detectado. O último sismo registrado no estado, segundo o Observatório, foi na cidade de Tabaporã, no dia 9 de julho deste ano, e alcançou magnitude 2. Para que as pessoas sentissem o tremor, seria necessário pelo menos 3 pontos de magnitude.

“Eventos pequenos acontecem todo santo dia, mas esses são eventos que ninguém sente. Lá [em Porto dos Gaúchos], a região está tranquila”, revelou Marcelo Rocha, professor do Instituto de Geociências da UnB e coordenador da Rede Sismográfica Centro-Norte, que faz parte da Rede Sismográfica Brasileira, que inclui a estação de Porto dos Gaúchos (PDRB).

O coordenador explicou que 25 estações estão sendo instaladas na região Centro-Oeste do país, e que esse processo ocorre em duas etapas. Primeiro o equipamento que registra os sismos é instalado na região e, em seguida, a transmissão via satélite é ativada. No caso deMato Grosso, duas estações estão pendentes da segunda etapa. Uma delas é a de Porto dos Gaúchos e a outra fica no município de Serra Nova Dourada, a 1,125 km de Cuiabá, região Nordeste do estado.

As outras estações sismológicas estão instaladas nas cidades de Colíder, Santo Antônio de Leverger, Pontes e Lacerda eAraguaiana, respectivamente nas regiões Norte, Centro-Sul, Sudoeste e Nordeste. “A gente precisa de mais estações. Começamos a povoar um vazio que existia nas regiões Centro-Oeste e Norte do país. É importante tanto na detecção de terremotos quanto para ter informações sobre o interior da terra. A gente utiliza esses dados para fazer uma tomografia sísmica, e com isso consegue delimitar grandes unidades geológicas”, avalia Marcelo Rocha.

“As instituições que trabalham com sismologia têm se esforçado para tentar melhorar as estações e povoar as regiões Norte e Nordeste do país. É obvio que a região ainda carece de estações porque é muito grande, mas é um grande esforço que está sendo feito, que depende também de financiamento”, ponderou Rocha.

Zona sísmica
Lucas Vieira Barros, especialista no estudo de tremores no Brasil e doutor em sismologia, elaborou sua tese de doutorado sobre a zona sísmica em Porto dos Gaúchos. Ele explica que desde 1959 em uma área de 100 quilômetros a nordeste da Serra do Tombador vem sendo observada uma sismicidade recorrente. Ele afirma que a região no Norte de Mato Grosso é propícia à ocorrência de novos tremores devido a uma falha geológica ali existente.

Fonte G1