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MT terá primeira usina solar com capacidade de geração de 5 megawatts

Marcia Jordan

26/07/2014 às 09:30

MT terá primeira usina solar com capacidade de geração de 5 megawatts

Mato Grosso abrigará sua primeira usina solar e uma das primeiras do país. A tecnologia consagrada na Europa aporta no Estado atraída pela farta matéria-prima, o escaldante sol mato-grossense, e por pressões de mercado e ambientais: o gritante déficit na oferta de energia no país e o apelo cada vez maior pela adoção de fontes renováveis de energia. 

O empreendimento foi anunciado em evento realizado ontem, em Cuiabá. A planta, que será instalada na Baixada Cuiabana em um prazo de seis meses, conta com investimentos do Grupo Cinco Estrelas e tecnologia da Euro Solar, de origem portuguesa e com operações no Brasil e países europeus. Conforme o projeto, a unidade terá capacidade de geração de 5 megawatts (mW) e investimentos da ordem de R$ 50 milhões. 

O mercado de energia limpa se aquece e mira praças como Mato Grosso embalado por fenômenos de mercado e exigências ambientais. O Estado desponta no mapa de investidores com uma grande vantagem competitiva: a farta matéria-prima, seja a radiação solar natural, recursos hídricos ou, em algumas regiões, os ventos necessários à instalação de usinas eólicas. 

De acordo com Miguel Morgado, engenheiro eletricista expert em energia solar e diretor da Euro Solar em Portugal, o país europeu já devota 40% da matriz energética via fontes renováveis. Na composição dessa fatia, a energia eólica representa 65%, a hídrica, 30%, e a energia solar responde pelos 5% restantes. Segundo Morgado, o ponto de equilíbrio tecnológico, ou seja o mix energético tido como ideal por especialistas do setor, é de 50% de energia hídrica, 30% eólica e 20% solar. “Essa composição varia conforme fatores particulares da região, dos investimentos injetados no setor e de recursos endógenos. Mato Grosso, que já é muito forte em hidrelétricas, reúne variáveis excepcionais para o desenvolvimento de usinas solares, com um recurso natural em abundância e produção eficiente”. Morgado também observa que o Estado e o Brasil recebem uma tecnologia “já madura”, desenvolvida ao longo dos anos na Europa e com preços “dentro de um patamar bem mais competitivo em relação aos anos anteriores”. A PLANTA – Para a geração de 1 mega de energia solar, são necessários de R$ 7,5 milhões a R$ 8,5 milhões de recursos para instalação da planta geradora. A capacidade é suficiente para abastecer mil casas-padrão, com quatro moradores cada. Dados apontam que o retorno de investimento nesse tipo de projeto ocorre ao final de sete anos de operações. 

Já a “vida útil” da usina é de 20 a 25 anos, quando reparos e novos investimentos são necessários para o resgate da plena geração, devido ao processo natural de depreciação de equipamentos. “Ou seja, o investidor pode consumir a própria energia, de forma limpa e mais barata, e depois, durante um longo período, lucrar com a venda do excedente gerado”, aponta o doutor em energia solar. 

DÉFICIT – O Brasil concentra atualmente uma potência geradora de 122 mil megawatts e uma relação cada vez mais conturbada entre a oferta e a procura na matriz energética e no universo de novos investimentos no país. A estimativa é de que até 2023 seja necessário ampliar o parque energético em 50%, o que corresponde a um incremento de cerca de 60 mil megawatts. 

Atualmente, a energia solar responde por menos de 5 mil megawatts, ao passo que térmicas como a Termelétrica Mário Covas, em Cuiabá, condensam 22 mil megawatts. “A geração em térmicas tem uma energia que custa uma fortuna ao Brasil. E nós, brasileiros, vamos pagar essa conta em 2015, fruto do acionamento maior de térmicas em 2013 e 2014, devido a efeitos climáticos e o aumento da demanda por energia. O Brasil poderia ter tranquilamente um quarto da matriz pautada por energia solar. Temos muito a caminhar nisso”, avalia Fernando Vilela, engenheiro e sócio da Euro Solar do Brasil. 

Fonte – Assessoria