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Procuradora que pediu prisão de Éder e Riva recebe ameaças e está sob proteção policial

Marcia Jordan

11/07/2014 às 08:27

Procuradora que pediu prisão de Éder e Riva recebe ameaças e está sob proteção policial

A procuradora regional da República Vanessa Ribeiro Scarmagnani, autora dos pedidos de prisão do deputado José Riva (PSD) e do ex-secretário de Estado Éder Moraes por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e empréstimos ilegais para fins eleitorais investigado na Operação Ararath, está sob proteção institucional devido a ameaças contra sua integridade física.

Deputado pede calma em pré-julgamento de citados na Ararath e diz que direito à defesa deve ser O fato foi revelado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está em Cuiabá, aonde se reúne com os cinco procuradores regionais que compões a força-tarefa da Operação Ararath, com a Polícia federal e com o Ministério Público, para traçar novas estratégias para dar seguimento as investigações da Operação Ararath.

“Ela está sim sob proteção policial devido a ameaças que ela sofreu. Houve ameaças e as ameaças não foram minhas”, revelou o procurador Geral da República, em entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (10), no 10º andar da sede da Procuradoria Regional do MPF em Mato Grosso.

A atuação da procuradora Vanessa Scarmagnani na condução das investigações chegou a ser questionada por José Riva, que agora é candidato ao Governo de Mato Grosso. O parlamentar afirmou que a procuradora induziu propositalmente o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Tóffolli ao erro para conseguir o deferimento do pedido de prisão.

José Riva foi detido no dia 20 de maio, na quinta fase da Operação Ararath, mas conseguiu um habeas corpus três dias depois e voltou à liberdade. Na decisão em que pôs o parlamentar de volta a liberdade, Dias Tóffolli alegou ter sido induzido ao erro sobre a situação do foro privilegiado do acusado.

Janot ainda garantiu que a procuradora, em toda carreira, nunca cometeu erros dignos de correção e atribuiu os ataques a atuação dela como uma estratégia da defesa para desviar o foco das investigações. “É normal que réus investigados e alvos tentem denegrir imagem daqueles que os acusam. Isso é técnica de defesa. Enquanto procurador-geral, não tenho um grama a dizer pela minha colega. Ela é uma profissional de alto nível”, afirmou.

A própria procuradora Vanessa Ribeiro participou da coletiva, mas se negou a detalhar qual tipo de ameaça recebeu e através que maneira. “Por uma questão de segurança eu não quero falar sobre esse assunto”, limitou-se a dizer.

Ararath

A Operação Ararath investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro – cuja estimativa de movimentação ultrapassa R$ 500 milhões – para o ‘financiamento’ de interesses políticos no Estado. Uma lista apreendida pela PF aponta que pelo menos 70 empresas utilizaram ‘recursos’ oriundos de esquemas fraudulentos de empréstimos.

A ação policial levou para prisão Eder Moraes,uma das figuras políticas mais emblemáticas do Estado. Homem forte do governo Blairo Maggi, atuou em cargos de destaques durante a sua gestão (2003 a 2010), como secretário de Fazenda, presidente da Agência da Copa do Mundo (Agecopa), da Casa Civil e também diretor da Agência de Fomento de Mato Grosso.

 

O próprio Blairo Maggi agora  senador , é investigado no esquema, assim como o governador Silval Barbosa (PMDB), o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), membros do Judiciário, Ministério Público, empreiteiros e empresários supostamente ligados ao ramos da agiotagem.