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SINTEP

Sintep denuncia máfia dos planos de saúde privados

Marcia Jordan

04/07/2014 às 10:57

Sintep denuncia máfia dos planos de saúde privados

O Conselho Estadual de Saúde, através da iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep) aprovou na última quarta-feira (02), por unanimidade a denúncia de um esquema, no município de Cáceres (225 km a oeste da Capital), de utilização irregular da rede pública de saúde pelos planos privados.

De acordo com as investigações, os pacientes de um hospital particular eram encaminhados ao Hospital Regional do município para a realização de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As duas unidades são administradas pela Organização Social de Saúde Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC). Entre julho de 2012 e junho de 2013 foram realizadas quase 300 tomografias computadorizadas pelos planos privados, sem que o SUS tivesse os valores ressarcidos pelos convênios particulares.

Segundo a auditoria, quatro médicos da ACSC estariam envolvidos nesses dois hospitais, recebendo benefícios para facilitar a fraude. Entretanto, o relatório afirma que os pacientes dos planos privados não sabiam da negociação e eram enganados para fazer os exames nos hospitais públicos.

Entre as evidências do acobertamento do uso irregular do SUS estão a utilização de nomes repetidos de pacientes na listagem das pessoas que realizaram exames, com datas próximas ou até no mesmo dia. A auditoria afirma que a direção do Hospital Regional de Cáceres detém conhecimento desse fato, mas como há interesse financeiro, omite e não providencia uma solução.

O secretário de Finanças do Sintep e relator da Comissão de Planejamento e Orçamento do Conselho Estadual de Saúde, Orlando Francisco, afirma que a Máfia dos Planos de Saúde é um dos fatores que contribuem para a precarização do SUS.

“Está provado que o SUS funciona, mas o que preocupa são os atalhos da saúde, através dos planos privados facilitados pelas Organizações Sociais de Saúde, como essa máfia que denunciamos. É ai que estão os problemas que os usuários sofrem nos postos de saúde, policlínicas e unidades de pronto atendimento. É importante que todo cidadão saiba que o SUS é gratuito e para todos, mas não pode ser usado para essas fraudes”.

O caso mais aparente e onde teve mais provas sobre a fraude, foi em Cáceres, porém segundo o relatório, há suspeitas que o esquema possa estar acontecendo em outras cidades. O resultado da auditoria será encaminhado para o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Federal.

Outro lado – Gerente de um dos planos de saúde de Cáceres disse que todos os atendimentos realizados por seus clientes no Hospital Regional são devidamente cobrados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Procurada pela reportagem a Associação Congregação de Santa Catarina relatou que por impedidos contratuais não pode se manifestar sobre qualquer assunto antes da autorização da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT). A SES, por meio da assessoria de imprensa, informou que irá aguardar o recebimento da denúncia para apurar.

Fonte GD