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CORTES

Cortes prejudicam operações da PF em MT

Marcia Jordan

08/01/2016 às 11:10

Cortes prejudicam operações da PF em MT

policia_federal_marcelo_camargo_abr_0O anunciado corte de recursos da União para a Polícia Federal em todos os estados, de cerca de R$ 151 milhões, deve prejudicar o bom andamento das operações de investigação implantadas pela instituição, como a Ararath, disse o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Mato Grosso (Sinpef), Erlon José Brandão Souza, nesta quinta-feira (7).

Brandão Souza lembra que as operações em Mato Grosso são, por si só, bastante complexas, pois o estado tem uma extensa área de fronteira com a Bolívia, país com intenso tráfego de drogas e veículos roubados, além dos problemas ambientais e indígenas.

“Para que haja o combate efetivo [dessas questões] é preciso uma PF estruturada”, explica. E tudo que a redução de recursos faz é conduzir exatamente à via contrária. “Esses cortes acabam com a polícia. O valor e o número de policiais federais já são insuficientes, e diminuir recursos certamente atrapalha o andamento dos trabalhos. Vai prejudicar, sim, e muito, as investigações”, afirma.

O entendimento de Brandão Souza segue a percepção da maioria de seus colegas em âmbito nacional, especialmente delegados, mas há representantes de outras carreiras a defender um contraponto: o da melhor gestão de orçamento. Tanto que o fim do ano passado foi intenso no que tange ao debate do assunto.

E tem um quê de disputa institucional, pois os delegados cobram mais dinheiro para a corporação, subordinada ao Ministério da Justiça, enquanto membros de outras categorias falam em boa gestão do dinheiro público e isso incluiria a formação de uma carreira única para todos os policiais federais.

“Uma redução orçamentária dessa monta importará, necessariamente, na drástica diminuição das ações investigativas da Polícia Federal no ano que se aproxima, pois contratos celebrados para garantir o seu regular funcionamento serão suspensos ou cancelados”, afirmou a Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), acrescentando que outros projetos poderão ser abandonados.

Para eles, esse dinheiro faltaria essencialmente no pagamento de diárias, viagens, verbas de custeio e operações policiais, como a Lava-Jato e a Zelotes. O motivo? Restrições orçamentárias não podem impactar salários nem pensões especiais. Logo, as despesas adicionais sofrerão cortes.
O processo de depauperamento é negado pelo Ministério da Justiça, que prega um fortalecimento da corporação desde 2003. “O orçamento total da instituição, considerando valores atualizados, aumentou em mais de 43% desde então”, rebateu o ministério, e ainda teve mais:

“De 2011 a 2015, o valor total empenhado para gastos com a Polícia Federal cresceu mais de 25%”, acrescentou a comunicação do órgão, afirmando, ainda, que o orçamento deste ano, mesmo com os cortes, seguirá maior que o do ano passado. Para a Fenapef (Federação Nacional dos Policias Federais) a questão orçamentária não é o principal problema da corporação. “Teve ano em que devolvemos dinheiro para a União”, afirmou o presidente da entidade, Luis Antônio Boudens.

 

 

Fonte Diario de Cuiaba