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JUÍZA

Juíza analisa retratação em que Éder desiste de acusar grupo de Silval

Marcia Jordan

11/01/2016 às 08:23

Juíza analisa retratação em que Éder desiste de acusar grupo de Silval

8724f4832020ef75340881948077c049No despacho que designou as datas de audiência de instrução e julgamento, a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, atendeu pedido da defesa do procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”, para o Ministério Público Estadual (MPE) anexar, se houver, cópia da retratação feita pelo ex-secretário de Estado, Eder Moraes, em relação a um depoimento prestado perante diversos promotores de Justiça no qual comprometeu autoridades políticas de Mato Grosso em esquemas de corrupção.

Foi em um depoimento prestado a promotores do Gaeco (Grupo de Ação e Combate ao Crime Organizado) que Eder Moraes revelou que o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, atuava como operador do dinheiro arrecadado com a propina de incentivos fiscais em favor do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Segundo o ex-secretário, em depoimento para promotores no ano de 2014, cabia ao procurador a responsabilidade de aparentar legalidade nas movimentações financeiras. Para movimentar dinheiro ilegal, “Chico Lima” mantinha relação com banqueiros do Uruguai, Áustria e outros países que funcionam como “paraísos fiscais”. “Chico é o cara que tem relações com banqueiros onde se consegue fazer as engenharias”, disse o ex-homem forte do palácio Paiaguás dando a “pista” para onde podem ter sido encaminhados milhões em reais desviados do erário público matogrossense.

Conforme as investigações da Polícia Civil, somente na “Operação Sodoma”, Chico Lima “lavou” R$ 500 mil em uma única factoring de Cuiabá para aparentar legalidade em dinheiro recebido por meio de propinas em favor do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Ao mesmo tempo, caberia ao ex-secretário de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf, ser o responsável pelas operações políticas dentro da Casa Civil.

A magistrada também autorizou encaminhamento de ofício ao Banco do Brasil solicitando uma microfilmagem em um cheque sacado em uma conta corrente. O pedido também foi feito pelo procurador aposentado.

Por outro lado, rejeitou pedido para anexar o depoimento do ex-secretário Eder Moraes prestado na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Obras da Copa do Mundo no final de 2015, pouco antes de ser preso. A alegação é de que o depoimento não tem qualquer relação com os fatos apurados na ação penal relativa a Operação Sodoma que trata exclusivamente da suspeita de corrupção na concessão de incentivos fiscais para empresas privadas.

Também foi rejeitado pedido do ex-secretário Pedro Nadaf para incluir nos autos do processo as cópias dos processos de enquadramento no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (PRODEIC) das empresas Tractor Parts Distribuidora de Auto Peças LTDA, DCP Máquinas e Veículos LTDA e Casa da Engrenagem LTDA, pois já estão nos autos. Um dos sócios do grupo Tractor Parts, o empresário João Batista Rosa, confessou na Polícia Civil que pagou R$ 2,5 milhões em propina ao ex-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, para ter suas empresas como beneficiárias do esquema de venda de incentivo fiscal.

A defesa de Nadaf ainda foi intimada para apresentar no prazo de 10 dias quais aparelhos celulares deseja submeter a perícia. O ex-chefe de gabinete Silvio Cézar Correa de Araujo, arrolou como testemunhas de defesa todos os membros do CEDEM (Conselho Estadual de Desenvolvimento Empresarial), porém, não indicou os endereços para a devida intimação, o que deverá ser feito no prazo de 10 dias.

A defesa do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) também deverá informar o endereço do ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccineli, e do ex-secretário de Estado, Allan Zanata. Silval, Nadaf e Marcel Cursi seguem presos no centro de custódia de Cuiabá, assim como Éder Moraes em decorrência da Operação Ararath.

 

 

 

Fonte Folhamax