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SETOR

Setor da construção no Estado está “otimista”

Marcia Jordan

26/06/2014 às 10:29

Setor da construção no Estado está “otimista”

Sondagem realizada pela Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) mostra que a indústria da construção mato-grossense está otimista em relação ao desempenho do segmento. O ‘ânimo’ do setor foi medido no mês passado. Enquanto a boa performance do agronegócio e as perspectivas de expansão da urbanização – como um legado pós-Copa – revelam um contexto promissor no curto e médio prazo, no país, conforme o levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a condução da política econômica pelo governo federal arrefecem as estimativas e fazem aumentar o pessimismo do segmento. 

O indicador do nível de atividade mato-grossense – que inclui a construção civil, pesada e rodoviária – situou-se em 52,2 pontos, superior aos 48,2 pontos do mês anterior e maior do que os 47,8 pontos de maio de 2013. Ainda conforme a Fiemt, a atividade entre as pequenas empresas cresceu: variou de 50 para 65 pontos, nas médias e grandes empresas o nível de atividade permaneceu estável em 47,5 pontos (abaixo da linha de 50 pontos) indicando atividade abaixo da expectativa nesse porte de indústria. Os indicadores variam de zero a cem. Abaixo de 50 revelam queda. 

A Utilização da Capacidade de Operação (UCO) aumentou em 2 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mês anterior, quando variou de 66% para 68%, no total das empresas. Em comparação com maio de 2013 caiu em 5 pontos, tendo em vista que a UCO registrou 73% naquele mês. A recuperação da capacidade de operação foi destaque nas pequenas empresas: variou de 30% para 50%, indicando que a pequena indústria trabalhou com metade da sua capacidade. Entre as médias e grandes o índice de UCO variou de 79% para 75% caindo 4 pontos percentuais, porém, utilizando 3/4 de sua capacidade de operação. 

Perspectivas  

Em junho, as expectativas para os próximos seis meses são positivas na percepção dos empresários do setor da construção. Os empresários se mostraram mais otimistas com a contratação de novos empregados, cujo indicador variou de 57 para 58,7 pontos. Os industriais da construção também estão mais otimistas quanto à adesão a novos empreendimentos e serviços, cujo indicador variou de 53,4 para 55,1 pontos. As expectativas para a compra de insumos continuam positivas, embora menos otimistas: o indicador variou de 64,2 para 62,1 pontos. Quanto ao nível de atividade a variação foi pequena: de 58,8 para 58,6 entre maio e junho, conservando o otimismo entre os empresários da construção. 

“Os empresários estão cada vez menos otimistas e isso terá impacto sobre o desempenho do setor”, avalia o economista da CNI Danilo Garcia. Segundo ele, a queda no ritmo de crescimento da construção resultará em uma menor contribuição do setor para a expansão da economia brasileira. 

Análise

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção do Estado de Mato Grosso (Sinduscon/MT), Cezário Siqueira Neto, explica que a diferença entre o otimismo dos empresários de Mato Grosso ante uma falta de boas perspectivas dos pares nacionais, está nas projeções da economia. “Aqui em Mato Grosso nossa base é o agronegócio, segmento que vai muito bem e o melhor, com perspectivas de expansão, de cenário promissor e isso cria um ambiente propício aos investimentos. Já no ponto de vista nacional, os empresários avaliam a macroeconomia, como metas de inflação que devem ser ultrapassadas e a manutenção da taxa Selic em dois dígitos, e a falta de sinalização de ajustes por parte do governo federal”. Como frisa, essa visão diferente proporcionou análises opostas. 

Além da base econômica de Mato Grosso, a realidade local – de um Estado que tem muito que crescer em relação à infraestrutura viária e urbana – “nos coloca em outro contexto e esse otimismo não e maior, porque há um certo temor em relação à continuidade das obras de mobilidade urbana e especialmente se o dever de casa será feito, como projetos nas áreas de saneamento e abastecimento de água e a construção de rodovias”, destaca Siqueira. Ele acrescenta ainda, que parte deste otimismo se sustenta numa visão mais a longo prazo, em função do legado que o pós-Copa vai deixar, que são as possibilidades de negócios em várias áreas, já houve uma revolução em parte da infraestrutura viária na Capital, em especial, e em como essa nova ordem estrutural vai impactar no interior. Acreditamos em surto de urbanismo, como legado da Copa, em cidades como Tangará da Serra, Rondonópolis, Sinop e Várzea Grande, por exemplo. 

O presidente do Sindicato da Indústria de Construção Pesada do Estado de Mato Grosso (Sincop), José Alexandre Schutze, destaca que no segmento rodoviário, seja pela pavimentação de estradas e construção de pontes de concreto, há um cenário positivo de uma movimentação de cerca de R$ 2 bilhões até o próximo ano.

Fonte MidiaNews