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EX-SERVIDORA

Ex-servidora da AL revela que deputada e ex-marido recebiam salário via verba

Marcia Jordan

26/02/2016 às 12:27

Ex-servidora da AL revela que deputada e ex-marido recebiam salário via verba

faefb1a3cb7dd2f69461e322860c6a65A ex-assessora da presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Marisol Castro Sodré, depoõe neste momento a juíza Selma Rosane Santos Arruda sobre supostos desvios da verba de suprimentos. A “Operação Metástase – Célua Mãe” levou a prisão do ex-presidente do Legislativo, José Geraldo Riva (sem partido), e dos ex-chefes de gabinete, Geraldo Lauro e Maria Helena Caramelo.

Marisol atuava como contadora do suposto desvio de cerca de R$ 1,7 milhão. Ele entregou ao Gaeco (Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado) uma lista sobre quais pessoas recebiam o dinheiro a mando do ex-parlamentar.

CONFIRA EM TEMPO REAL

11h46 – Termina a audiência. Os réus José Riva, Geraldo Lauro e Maria Helena Caramello irão depor somente no dia 28 de março e seguem presos.

11h41 – Advogado de Riva questiona Marisol sobre quando o documento entregue foi encontrado. Marisol explica que achou o papel na sua casa quando vasculhava um armário. Marisol nega que o velório de R$ 10 mil do seu pai tenha sido pago com verba da Assembleia Legislativa. Ela conta que a coleha Ana Martins a ajudou a conseguir um desconto na funerária. Ela também comenta que a casa de apoio era inicialmente de responsabilidade do gabinete, mas com o tempo passou a ser “terceirizada”. Também informar não saber os custos.

11h35 – Marisol entrega um documento a juíza com a letra de Maria Helena Caramelo com dados e gastos das casas de apoio. Ela diz não saber em quais bancos foram contraídos os empréstimos por servidores para bancar os gastos extras no gabinete de Riva.

11h30 – A ex-servidora informa que delegados também recebiam valores da verba e que chegou a digitar nomes de alguns numa planilha. Ela diz não saber se membros do MPE também eram beneficiados. Marisol assegura que não recebeu nenhuma vantagem financeira para acusar ninguém e que uma delação não pode ser feita sem provas. Juíza questiona Marisol sobre os empréstimos que servidores faziam para complementar o pagamento das despesas do gabinete e e o limite dos gastos. Ela comenta que cerca de 15 servidores faziam o saque cada um de R$ 8 mil por mês totalizando mais de R$ 100 mil. “Existem servidores que faziam empréstimos e depois eram ressarcidos pelo deputado”, destaca, ao citar como exemplo Maria Helena Caramelo.

11h25 – Marisol comenta que Maria Helena Caramelo chegou a colocar dinheiro do próprio bolso para atender pedidos no gabinete de Riva e que depois era reembolsada. A ex-servidora esclarece que respondeu a todos questionamentos do MPE e reafirma que não citou a deputada e o ex-marido por não ter sido questionada sobre o assunto.

11h20 – Após emoção, Marisol diz não confiar no advogado Alexandre Nery, que garantiu que nada aconteceria com ela, mas foi presa pelo Gaeco. Marisol garante que não foi orientada para prejudicar ninguém no seu depoimento. Ela revela que recebia uma gratificação de R$ 500 em seu salário na Assembleia para produzir os relatórios de prestação de contas da verba de suprimentos.

11h17 – Marilson conta detalhes sobre o dia em que foi presa pelo Gaeco. Ela começa a chorar na audiência e disse que ficou preocupada por não ter dinheiro para pagar advogado. Segundo ela, um irmão se comprometeu a pagar o advogado para defendê-la . Ai apareceu um major da Polícia Militar pediu para Ricardo Monteiro assumir a defesa dela. A ex-servidora continua chorando e lembra que nunca recebeu nenhum centavo do dinheiro desviado, sendo que sobrevivia apenas com o salário mensal.

11h13 – Marisol garante que nunca viu nem ouviu falar do contador e empresário Hilton Carlos, que é suspeito de vender as notas fiscais frias para justificar a verba de suprimentos. Marisol explica que o pen drive com a contabilidade não foi apreendido pelo Gaeco, mas entregue por ela aos promotores.

11h05 – Sobre as autoridades que recebiam uísques de Riva, Marisol detalha que a lista dos beneficiados ficava com Maria Helena Caramello, mas seriam secretários de Estado e vereadores. Sobre o ex-genro de Riva, ela diz que o sobrenome era “Azóia” e o apelido “Nilo”. Advogado questiona se uísques eram dados para promotores e ela diz não saber do presente aos membros do MPE. Marisol acrescenta que Janaína recebia R$ 4 mil das mãos de Maria Helena Caramelo, sendo o dinheiro entregue num envelope. A delatora comenta que contava o dinheiro antes de ser entregue a Janaína. “Todo mês a Janaína pegava o dinheiro com a Maria Helana. Era uma vez por mês”, frisou.

10h58 – O advogado Ricardo Monteiro ironiza e orienta George a ler melhor os autos do processo. Juíza intervém e esclarece que ofender o MPE ou a delatora não representa nenhum benefício ao acusado das fraudes, no caso Riva. Já George estranha o fato do nome de Janaína Riva ser exposto somente após a delatora ir ao Gaeco buscar um telefone celular após cinco meses da operação. Marisol nega que tenha sido orientada por algum promotor a compromter a filha de José Riva e que só falou sobre os pagamentos ao ex-casal após ter sido questionada na audiência. Ela disse que ainda não havia conseguido restituir o aparelho celular e que ficou na sede do Gaeco por apenas 10 minutos.

10H53 -Advogado de Riva questiona o fato de não constar nos autos que Janaína Riva e o ex-marido Nilvo recebiam R$ 4 mil por mês cada um através da verba. Marisol destaca que nenhum promotor a questionou sobre o assunto no interrogatório. George também pergunta sobre o vazamento de seu depoimento a imprensa e ela diz que sua vida foi colocada em risco. Afirma diz que nunca acusou Riva e que recebeu muitas recelamações após ter feito o acordo de delação premiada. Sobre os vazamentos a imprensa, a juíza explica que o processo é público e todas declarações estão a disposição da sociedade.

10h50 – O promotor Samuel Frungilo intervém e afirma que advogado de Riva faz perguntas infantis. Marisol informa que esteve ontem no Gaeco pedindo seu telefone celular, que havia sido apreendido, de volta.

10h46 – Marisol garante que somente ela poderia ter acesso ao pen drive com a prestação de contas dos beneficiados com a verba de suprimentos. Advogado de Riva pergunta a Marisol como ela se interessou pela delação premiada. Ela lembra que foi alvo de busca e apreensão do Gaeco e que só soube das fraudes após depor no MPE. Ela nega que tenha sido coagida e resolveu fazer delação porque não tinha outra saída.

10h41 – O advogado pergunta a Marisol se Riva fazia parte do conselho que analisava os pedidos de cidadãos. Ela não sabe informar como funcionava o conselho e reafirma que sua função é produzir os relatórios de prestação de contas. Ela também diz saber que Riva fazia empréstimos e transferia os valores para atender pedido de eleitores no gabinete.

10h35 – George pergunta a Marisol quantas pessoas pediam ajuda a Riva por dia. Ela comenta que até 200 por dia e que Riva sabia de tudo que acontecia nas demandas feitas por populares. Marisol nega que sua mãe tenha recebido atendimento médico através de uma das casas de apoio. Ela afirma que a mãe foi tratada pelo MT Saúde. Também reconhece que um dos seus tios trabalhava no gabinete de Riva. Ela confirma que existia uma espécie de “mensalinho” aos vereadores. Além disto, eleitores dos parlamentares recebiam ajuda através do gabinete quando demandas eram levadas.

10h28 – O clima fica tenso na audiência. Os advogados Ricardo Monteiro, que atua na defesa de Marisol, e Luiz Alberto, que defende Maria Helena Caramelo, trocam farpas. A juíza intervém explicando que o advogado Luiz Alberto não pode acusar a delatora para descontituir provas contra outros réus. O advogado de Riva, George Andrade, inicia questionamentos a Marisol pedindo esclarecimentos de como ela levantava o dinheiro. Ela explica que recebia os saques dela e outros servidores e fazia os repasses cumprindo ordens.

10h25 – O advogado Luiz Alberto Carneiro ainda questiona a ex-servidora se Maria Helena Caramelo usava a verba para proveito próprio. Marisol responde que Maria Helena jamais se beneficiou com o dinheiro desviado. Sobre a convivência com o advogado Alexandre Nery, Marisol escalarece que o via somente no gabinete de Riva e que foi apenas no aniversário do filho dele por serem colegas de trabalho a época.Em relação ao acordo de delação premiada, Marisol comenta que está nos autos do processo.

10h19 – Samuel pergunta se Marisol se sentia constrangida em participar das fraudes. Ela diz que Maria Helena Caramelo sentia desconforto e até discordava do uso da verba, mas tinha que cumprir as ordens de José Riva. A defesa dos réus inicia as perguntas. O advogado de Geraldo Lauro, Ardonil González Júnior, pegrunta se o dinheiro desviado foi usado para proveito próprio e Marisol responde que “ninguém embolsava nada. A defesa de Maria Helena Caramello, o advogado Luiz Alberto Carneiro questiona sobre o procedimento para ser paga a verba de suprimentos e Marisol comenta que fazia memorandos e depois lançamentos. Ela trabalhou entre agosto de 2005 e fevereiro de 2015 no Legislativo e que fazia o relatório de caixa da verba com Maria Helena Caramelo.

10h15 – Em relação a anotação Nilo, Marisol comenta que trata-se de um valor de R$ 4 mil que o ex-marido da deputada estadual Janaína Riva (PSD) recebia por mês. Ela também conta que Janaína recebia o mesmo valor por mês sem prestar serviços e através da verba de suprimentos. O promotor Samuel questiona o período em que Janaína e ex receberam o valor e Marisol responde que por cerca de três anos.

10h12 – O MPE questiona Marisol sobre uma anotação Irene/secretária. Ela explica quje trata-se de uma simples anotação. Ele também pergunta sobre a anotação Lúdio/Corolla e ela esclarece que Lúdio era nome do motorista de Riva e que o dinheiro desviado era utilizado também para cobrir despesas com motorista. Sobre a anotação Je, ela comenta que este foi um valor repassado para o colunista social Jejeh, já falecido e cita que Riva pagava plano de saúde dele antes de morrer.

10h10 – Promotor questiona a servidora sobre o uso da verba para compra de uísques. Ela explica que a bebida era dada para jornalistas e autoridades, assim como cestas ao final de cada ano.

10h08 – Marisol confirma que prestava contas dos pagamentos da verba de suprimento para Riva. Ela ainda revela que foi orientada por Maria Helena Caramelo a destruir documentos. “Coloquei fogo em alguns documentos que poderiam atestar as fraudes, mas graças a Deus sobrou documentos para comprovar o que sustentei”, frisou, ao confirmar que Riva mantinha duas casas de apoio para carentes próximas aos colégios São Gonçalo e Isaac Newton, em Cuiabá

10h06 – Marcos Bulhões também quer saber se outros tipos de pedidos eram feitos no gabinete por pessoas. Ela explica que todos eram atendidos de acordo com a conveniência e cita que vários vereadores eram ajudados financeiramente com a verba. Ela explica que doação de passagens para pessoas era feita da seguinte forma: servidores retiravam os bilhetes em seu nome e depois repassavam para supostos eleitores.

10h05 – A juíza aproveita o tema e questiona a ex-funcionária sobre a serviço de quem estaria o advogado. Ela responde que acredita que seja de José Riva. O MPE começa os questionamentos e o promotor Marcos Bulhões pergunta se ela foi ao Núcleo de Patrimônio Publico acompanhada de um advogado. Ela responde que sim e com Alexandre Nery. O promotor também questiona se Marisol sabia que o ex-servidor Vinicius Prado Silveira viabiliza as notas frias e ela responde que não.

10h03 – Marisol revela que foi orientada a mentir no primeiro depoimento ao MPE pelo advogado Alexandre Nery, que chegou a trabalhar no Legislativo com Riva. “Alexandre era servidor, mas atendia interesses particulares do Riva”, diz.

10H00 – A juíza Selma Rosane Santos Arruda questiona Marisol sobre os gastos da verba com massagistas. Ela esclarece que, por exemplo, no Dia da Mulher, a Assembleia Legislativa pagava massagistas para irem ao local atender servidores. Sobre supostas empresas de fachada que forneceram notas fiscais para dar suposta legalidade a verba de suprimentos, a delatora disse não ter conhecimento e que ficou sabendo apenas após firmar acordo com o MPE.

09h55 – Ela confirma que, após receber todos valores sacados por servidores, o dinheiro era repassado a Maria Helena Caramelo. Também revela que entregou os valores para Geraldo Lauro em duas ocasiões. Marisol confirma que a verba era utilizada para assitencialismo financiando festas de formatura, cujos representantes das comissões assinavam recibos. Empresa de ônibus que mantinham contratos com Assembleia doavam passagens.

09h50- A juíza questiona Marisol se a denúncia contra ela é verdadeira. Ela responde dizendo que nunca tirou proveito para si da verba de suprimentos. Ela explica que fazia um memorando para cada um dos servidores que recebiam o dinheiro. O saque era feito e todos devolviam para Marisol fazer a distribuição. Eram R$ 4 mil para materiais e outros R$ 4 mil para serviços.

09h40 – O promotor Samuel Frungillo inicia as perguntas, Marisol revela que está desempregada atualmente e firmou acordo de delação premiada por livre e espontânea vontade com o Ministério Público Estadual para ter benefícios de redução de pena em eventual condenação.

09h35 – A juíza Selma Rosane Santos Arruda proíbe a imprensa de fazer imagens de Marisol Sodré. O pedido foi feito pelos advogados da ex-servidora e acatado pela magistrada. O advogado George Andrade Alves, que atuar no escritório de Rodrigo Mudrovistch, em Brasília (DF), está no Fórum de Cuiabá para acompanhar o depoimento. Eles atuam na defesa de José Riva.

 

 

 

Fonte Folhamax