Mato Grosso, Segunda-Feira, 20 de Setembro de 2021
Logo Só Informação
Informe Publicitário
CPI

CPI dos Frigoríficos deseja resgatar 8 mil empregos e saber sobre financiamentos do BNDES

Marcia Jordan

10/03/2016 às 09:06

CPI dos Frigoríficos deseja resgatar 8 mil empregos e saber sobre financiamentos do BNDES

assembleia-legislativa(1)(1)(1)(41)(5)Nem caça às bruxas, tampouco busca de sonegadores: a CPI dos Frigoríficos na Assembleia Legislativa é para traçar um perfil da cadeia produtiva da carne e tentar resgatar ao menos parte dos mais de oito mil empregos perdidos, nos últimos anos, com o fechamento de dezenas de plantas frigoríficas. O esclarecimento partiu do presidente da CPI dos Frigoríficos, deputado Nininho Ondanir Bortolini (PR), ao rebater a tese de que haveria sobreposição de investigações, porque a CPI da Sonegação Fiscal já está no encalço dos frigoríficos que receberam incentivos fiscais.
“É um trabalho diferente. A CPI dos Frigoríficos atinge a toda cadeia da carne. E provavelmente começa oitiva dos proprietários de frigoríficos, para prestar esclarecimentos, porque do caos instalado. Vale destacar que existe uma desproporção do preço da carne em Mato Grosso, com diferença de até 20% [com o praticado em São Paulo] e nunca houve tamanha disparidade”, questionou ele, que é também titular da Primeira Secretaria da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

“Vamos ouvir os frigoríficos e os pecuaristas. Veja bem: somente em 2015 saíram mais de 580 mil cabeças de gado em pé de Mato Grosso. Portanto, existe a matéria prima e somente esse montante seria suficiente para funcionar quase 10 plantas frigoríficas”, pontuou. Ele observou que o trabalhador que ficou desempregado e que hoje passa dificuldades com sua família, deseja saber onde foram investidos os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Houve o fechamento de muitas plantas frigoríficas que tiveram incentivos dos municípios, com doação de áreas; e financiamento do BNDES. São plantas novas que foram construídas e lacradas. Basta citar que apenas uma empresa chegou, adquiriu 21 plantas e lacrou 11 plantas”, denunciou o presidente da CPI, referindo-se à JBS Friboi.

“A mesma empresa alugou mais seis plantas e fechou imediatamente. Isso não é uma boa intenção empresarial: alugar uma planta é caro e o empresário sério [do ramo] sabe quando custa, para alugar uma planta destas e logo fechá-la. Mais de oito mil empregos diretos foram arrebentados, fora os indiretos, que vêm com a cadeia: caminhoneiro, auto-peças, oficina mecânica e outros”, sintetizou Nininho Bortolini.

“Mato Grosso é o maior produtor de alimentos do mundo e não podemos permitir um grupo que chegue em nosso Estado, crie um monopólio, achate os preços e domine o mercado da carne”, exortou ele.

Também fazem parte da CPI, como membros titulares os deputados José Domingos Fraga Filho (PSD), como relator; Pedro Satélite (PSD), Wagner Ramos (PR) e Eduardo Botelho (PSB); e como membros suplentes, Oscar Bezerra (PSB), Zeca Viana (PDT), Baiano Filho (PMDB), Wancley Carvalho (PV) e Wilson Santos (PSDB).