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Empresário revela que Silval "nomeou" homem de confiança para receber propina de R$ 700 mi

Marcia Jordan

23/03/2016 às 07:49

Empresário revela que Silval "nomeou" homem de confiança para receber propina de R$ 700 mi

Dono da Consignum conta que ex-governador mandou tirar Zílio e colocar Pedro para receber fortuna mensal

699083fde5137eed5ab71c90211559cdEm depoimento aos promotores e delegados que comandam as investigações relacionadas a “Operação Sodoma” no dia 15 deste mês, o empresário Willians Paulo Mischur revelou que chegou a se reunir pessoalmente com o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para acertar como seria feito o repasse mensal de até R$ 700 mil em propina para que o contrato com a Consignum fosse mantido no Governo de Mato Grosso. A reunião aconteceu no apartamento duplex de Silval Barbosa no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá.

O dono da Consignum, que faz a intermediação dos empréstimos consignados entre servidores e bancos, detalhou que venceu uma licitação para prestação do serviço em 2011, mas a SAD resolveu cancelar o certame. No mesmo período, ele foi procurado pelo então advogado Pedro Elias que prometeu resolver o suposto “problema” no pregão desde que ele ficasse responsável por receber os valores todos os meses.

Diante disto, Pedro Elias o buscou em seu casa num dia a noite para a reunião no apartamento de Silval. “Pedro Elias entrou em contato com o declarante por volta das 22h00 dizendo para descer na recepção do seu próprio residencial. O declarante entrou no carro de Pedro Elias , que disse que iria levá-lo até a casa do governador Silval Barbosa para comprovar que ele era a pessoa de confiança para receber os valores”, disse o empresário no depoimento .

Willians deu detalhes de sua chegada ao apartamento de Silval. “Chegando no apartamento de Silval, o declarante percebeu que Pedro Elias era de fato pessoa de confiança de Silval e os dois subiram para o andar superior enquanto que Silval terminava uma conversa no andar inferior”, frisou.

O dono da Consignum detalha que a conversa com o ex-governador foi rápida sendo que ficou definido que a propina mensal deixaria de ser repassada ao ex-secretário de Administração, César Zílio, e passaria a ser entregue para Pedro Elias. “Silval teria dito ao declarante: O Pedro é o responsável para continuar com os recebimentos dos pagamentos, pois estava bravo com César, pois César não estava sendo leal com ele”, confessou.

Após receber a orientação de Silval, o empresário passou a entregar os valores ao ex-secretário Pedro Elias. “A partir deste momento, deixou de fazer os pagamentos a César Zílio e fez para Pedro Elias. Os valores eram direcionados ao grupo político de Silval e continuaram até o último dia do Governo”, informou.

Willians chegou a ser preso preventivamente na segunda fase da operação pelos negócios com o ex-secretário de Administração, César Zílio, que segue detido diante da compra de um terreno de R$ 13 milhões na avenida Beira Rio, em Cuiabá, com propina arrecadada com várias empresas que prestavam serviços ao palácio Paiaguás. Após ser preso com R$ 1 milhão em dinheiro vivo, o empresário resolveu colaborar com as investigações.

Além de Pedro Elias e Silval Barbosa, a terceira fase da operação Sodoma cumpriu um novo mandado de prisão contra o ex-chefe de gabinete, Sílvio Cézar Correa. Já o ex-secretário adjunto de Administração, José Nunes Cordeiro, teve a prisão decretada, mas está foragido.

 

 

 

Fonte Folhamax