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Secretário da Contag usa habeas corpus para não responder questionamentos na CPI da Funai e do Incra

Marcia Jordan

14/04/2016 às 07:17

Secretário da Contag usa habeas corpus para não responder questionamentos na CPI da Funai e do Incra

image3001004O secretário de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos, esteve nesta quarta-feira em sessão da CPI da Funai e do Incra, onde foi chamado a dar explicações sobre suas declarações em evento no Palácio do Planalto, onde convocou o movimento dos trabalhadores rurais a promover invasões nas propriedades daqueles que se posicionaram favoráveis ao impedimento da presidente Dilma.

A expectativa de que ao menos pedisse desculpas pela fala, foi frustrada. Aristides chegou acompanhado de advogado e amparado por Habeas Corpus preventivo que lhe permitiu ficar calado diante das perguntas do relator e dos demais deputados membros da comissão.

O dirigente se limitou a dizer que a entidade da qual faz parte, representa cerca de 20 milhões de trabalhadores associados a 4 mil sindicatos. As falas seguintes foram apenas “por orientação de meu advogado vou permanecer em silêncio”.

O relator da CPI, deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), iniciou sua fala lamentando que alguém tão empolgado quando protegido pela militância, tenha se acovardado diante daqueles a quem dirigiu as ameaças. “Quem falou tanto dentro de uma estrutura pública como o Palácio do Planalto para a imprensa nacional e internacional, não sei por que quer se privar de falar dentro da casa do povo com a presença de quem concorda e não concorda com o que ele disse”, argumentou o parlamentar.

A fala em questão aconteceu no dia 1º de abril, quando em evento de regularização de terras quilombolas e para a reforma agrária, Aristides provocou, “A forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E é a Contag, é os movimentos sociais do campo que vão fazer isso. Ontem dizíamos na passeata: vamos ocupar os gabinetes, mas também as fazendas deles. Porque se eles são capazes de incomodar um ministro do Supremo Tribunal Federal, nós vamos incomodar também as casas, as fazendas e as propriedades deles”.

Os questionamentos de Nilson Leitão foram direcionados ao estilo de vida levado pelo dirigente em detrimento daqueles a quem ele diz representar como viagens internacionais e apartamentos em áreas nobres de Brasília e de Recife, por exemplo. Questionou também a relação da entidade com os órgãos do governo como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (INCRA), sobretudo porque a Contag teria indicado uma lista de pelo menos 600 propriedades que poderiam ser desapropriadas com fins de assentamentos.

Sem respostas que pudessem esclarecer a relação entre o dirigente e o governo, Leitão disse que a investigação vai continuar. “Esta CPI mesmo depois do impeachment vai continuar trabalhando e vai continuar investigando o senhor Aristides Veras dos Santos, porque ele ameaçou a sociedade brasileira, a agricultura e todos os brasileiros que querem o impeachment. Lamento seu silencio em se esconder atrás de um habeas corpus e não ter a mesma coragem que teve no Palácio do Planalto pra gritar e bradar contra o Brasil. Esse instrumento o protegeu hoje, mas o protegerá para sempre”, finalizou o relator.

Mesmo com o silêncio do dirigente sindical, a comissão viveu momentos de tensão e confronto entre os deputados da base de sustentação do governo e os membros da frente parlamentar da agropecuária.

Nilson Leitão disse que organizações patronais e de trabalhadores também podem sofrer investigação diante de denúncias de conduta lesiva ao interesse público.

 

 

 

Fonte Assessoria