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Boi verde alia desenvolvimento econômico e preservação ambiental em novo momento da pecuária

Marcia Jordan

05/05/2016 às 13:35

Boi verde alia desenvolvimento econômico e preservação ambiental em novo momento da pecuária

DSC05923Com a preocupação cada vez maior com o desmatamento e meios de produção sustentáveis, pecuaristas estão se reinventando para atender as demandas do mercado. Em Mato Grosso, esta história começou ainda em 2012, ano em que fazendas do interior do estado receberam sua primeira certificação de um novo modo de criação de gado, que respeita critérios ambientais e potencializa o uso dos recursos naturais, sem deixar a gestão de negócios menos eficiente: boi verde.

O estado de Mato Grosso foi primeiro do mundo a ter propriedades de criação de gado certificadas com um dos mais valorizados reconhecimentos de produção de ‘boi verde’: o Rainforest Alliance Certified. O selo da sustentável de carne é um produto da Rede de Agricultura Sustentável, uma coalisão de vários institutos e organizações que trabalham para conservar a biodiversidade e assegurar meios de vida sustentáveis.

A fama da pecuária de ser a principal responsável pela destruição da floresta no país tem fundamento, já que historicamente, o aumento nas áreas de pastagem para a criação de gado favoreceu o desmatamento na Amazônia brasileira, onde hoje estão cerca de dois terços do rebanho do país.

Para superar este passado recente, o modelo antigo extrativista precisou sair de cena e, em seu lugar, entrar uma pecuária integrada, que potencializa o uso dos recursos disponíveis e torna a gestão do negócio mais eficiente, o novo modelo chamado ‘boi verde’.

O método de criação que garante o selo concedido ao ‘boi verde’ consiste na troca da pastagem morta pelo uso rotativo do solo, tecnologia para reduzir o impacto sobre os recursos naturais, maneiras de aumentar a produtividade com o semiconfinamento e a suplementação à alimentação e como seguir o Código Florestal.

A proposta é que não apenas as práticas de uso do solo mudem, mas também as de negócios e reflitam diretamente no comportamento do consumidor. “Estamos conseguindo mostrar que no bioma Amazônia, onde existem várias campanhas sobre o boi como responsável pelo desmatamento, pela escravidão, tem um produto correto e socialmente justo”, diz Leone Furlanetto, da Fazenda São Marcelo.

Furlanetto gerencia as quatro propriedades da São Marcelo entre os municípios de Tangará da Serra e Juruena. Há quatro anos, todas elas conquistaram o selo internacional atestando a sustentabilidade do negócio.

O carimbo só veio após 136 critérios ambientais e sociais serem atendidos. A fazenda precisou assegurar que do nascimento ao abate, a vida dos animais era rastreada. Ainda, praticava as normas de bem estar animal e não desmatou ilegalmente. As ações com foco no gado refletiram até na melhoria de qualidade dos funcionários.

“A certificação Rainforest Alliance surgiu em 1992, mas para commodities agrícolas. Por 20 anos foi apenas agrícola. Em 2012, quando surgiu para a pecuária, fomos pioneiros [em receber a certificação]”, lembra Furlanetto. Em abril deste ano (2016) a conquista do selo internacional completou quatro anos.

O CEO do grupo JD no Brasil, Arnaldo Eijsink, lembra que o Rainforest Alliance Certified tornou-se sinônimo de vantagem competitiva no mercado. Na prática, animais com este ‘padrão’ são mais valorizados pela indústria. Além do preço da arroba, balizado pelo mercado, há o acréscimo de bônus sobre a produção.

Em Mato Grosso, a única indústria frigorífica também certificada com o selo Rainforest Alliance estima – ainda para este primeiro semestre – um prêmio para animais destinados à exportação de até R$ 6 a arroba.

“[A certificação] é uma mais uma ferramenta de valorização do produto. O processo é lento, mas cada vez mais vai se aprimorando para conseguirmos melhores preços de venda do produto e, assim, em contrapartida, termos melhores preços para a compra do gado também”, diz José Pedro Crespo, diretor de Confinamento e Compras de Gado da Marfrig Beef.

 

 

Fonte:olhar direto