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Estado faz proposta no limite e dá até segunda para greve ser encerrada

Marcia Jordan

02/06/2016 às 21:43

Estado faz proposta no limite e dá até segunda para greve ser encerrada

5fcce2b4f006332b606dc9e293a6fe43Em reunião com o Fórum Sindical nesta quinta-feira, o Governo de Mato Grosso apresentou nova proposta de pagamento do Reajuste Anual Geral (RGA) aos servidores públicos. Considerando a crise econômica que afeta o país e o Estado, o governo propôs recomposição de 6%, sem retroatividade, em três parcelas: 2% em setembro, 2% em janeiro de 2017 e 2% em março de 2017.

A proposta anterior oferecida pelo Governo do Estado era de pagamento de 2% em setembro e 3% em janeiro. Já os sindicatos cobram o pagamento integral da recomposição, de 11,28%. “Aumentamos 1% em relação à proposta anterior. Não é muito, mas é onde podemos chegar”, avaliou o secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que participou da reunião ao lado dos secretários Júlio Modesto, de Gestão, e Paulo Brustolin, da Fazenda.

Além de Mato Grosso, somente o estado do Paraná está sendo capaz de pagar a RGA. Vários estados enfrentam problemas com os salários, alguns atrasando e outros parcelando os vencimentos dos servidores.

“Neste mês do maio, mais de 15 estados não conseguiram pagar os salários em dia. Alguns estão atrasados há mais de dois meses – até os bancos estão deixando de fazer operação crédito consignado porque não estão recebendo as parcelas dos empréstimos”, relatou Júlio Modesto.

Os secretários reiteraram o direito dos servidores ao pagamento do RGA, mas voltaram a pedir compreensão sobre a situação econômica do Estado e o risco de colapso financeiro. “Esse percentual de 6% é a proposta que o Governo de Mato Grosso consegue fazer para manter o salário em dia.

Estamos discutindo o pagamento do RGA porque acreditamos que o servidor público é a grande mola propulsora do nosso Estado. Mas não podemos ser irresponsáveis”, afirmou Brustolin.

Os secretários reafirmaram a disposição em dialogar com os sindicatos e lembraram que o cidadão é o mais atingido pela paralisação. “Até agora, a Câmara Fiscal estava debruçada sobre o RGA. Essa foi a melhor proposta que conseguimos.

A partir de segunda-feira (6), em se persistindo a greve, nós vamos colocar na pauta de avaliação quais medidas tomar e se tomaremos tais medidas”, finalizou o secretário da Casa Civil. Uma das medidas é ingressar na Justiça para declarar a greve ilegal.

O secretário de Fazenda relatou aos sindicalistas o resultado do encontro com os secretários de Fazenda de todo o país em Brasília, na quarta (1º), para discutir a crise fiscal. Os secretários pediram 24 meses de carência, mas ainda não houve resposta.

De acordo com Brustolin, o governo federal avalia impor condições para suspender as dívidas estaduais. Uma delas seria a possibilidade de aprovação de uma lei prevendo o congelamento dos salários por até dois anos. Na próxima semana, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deverá se reunir com os governadores.
Nos últimos oito anos, com exceção de 2013, os gastos com pessoal cresceram mais do que a receita em Mato Grosso. Os cofres públicos também sofreram grande impacto a partir de 2014, quando foram aprovadas 31 leis de carreira com aumento salarial.

O pagamento integral da RGA – 11,28% – resultaria numa despesa de R$ 628 milhões. Este valor é expressivo porque a inflação do ano passado (11,28%) foi mais que o dobro da média dos últimos dez anos (5,41%).

Além de negociar um percentual de RGA que não coloque em risco os salários dos servidores, o governo está agindo em outras frentes para equilibrar as contas, como uma nova reforma administrativa e uma negociação com os demais poderes – Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, Defensoria Pública e Ministério Público – para redução dos repasses do duodécimo.

 

 

 

Fonte Folhamax