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É hoje primeiro jogo da Copa na Arena Pantanal

Marcia Jordan

13/06/2014 às 08:06

É hoje primeiro jogo da Copa na Arena Pantanal

É hoje. Depois de 1.839 dias desde que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou em 31 de maio de 2009 que Cuiabá havia sido escolhida como sede da Copa do Mundo, os cuiabanos vibraram, torceram, sofreram e enfrentaram muitas dificuldades na cidade, que se tornou um grande canteiro de obras para melhorar sua infraestrutura em prol do mundial de futebol. Nesta sexta-feira (13), a Arena Pantanal abre seus portões para receber os torcedores no primeiro jogo da Copa em terra mato-grossense. Chile e Austrália entram em campo às 18h (horário de MT; 19h no horário de Brasília) com a expectativa de estádio lotado e festa nas arquibancadas, como já tem ocorrido pelas ruas da capital nos últimos dias com a invasão de torcedores chilenos e australianos.

Chile x Austrália, em Cuiabá
O Chile deve ter apoio amplo de sua fanática torcida para a estreia na Copa do Mundo. Uma caravana partiu de Santiago, capital do país, em direção a Cuiabá, num percurso de cerca de 3,8 mil quilômetros. Enfrentaram nevascas e temporais, deixaram filhos pequenos em casa e caíram na estrada – tudo para acompanhar a “La Roja”. Segundo os organizadores da expedição, foram cerca de 800 carros participantes.

Mas se o critério for distância percorrida, a seleção australiana sai na frente. Os jogadores enfrentaram uma viagem extenuante, num voo de mais de 15 horas de duração entre Austrália e Brasil. Curiosamente, fizeram escala em Santiago.

Por que ver este jogo: Num grupo que tem Holanda e Espanha como favoritos, Chile e Austrália entram na condição de azarões. Não podem desperdiçar qualquer chance de ganhar pontos, então devem brigar muito no confronto. Com um ataque elogiado, o Chile fez uma boa eliminatória e tem jogadores que atuaram ou atuam em clubes brasileiros: o atacante Vargas foi do Grêmio e o meio-campista Valdívia é do Palmeiras.

O estádioInaugurada em abril deste ano, a Arena Pantanal tem capacidade de 43 mil torcedores e custou R$ 646 milhões. Ela começou a ser erguida em 2010. A pouco mais de um mês para o início da Copa, o operário cuiabano Muhammad’Ali Maciel Afonso morreu, aos 32 anos, vítima de uma descarga elétrica.

O que fazer na cidade: Como o jogo está marcado para o início da noite, dá para usar a manhã e parte da tarde para aproveitar a região. Vale até um ecoturismo antes do futebol. Na cidade de Chapada dos Guimarães e no Parque Nacional que leva o mesmo nome, há cachoeiras, trilhas e paredões.

Quem optar por um programa mais urbano, mas ainda assim quer conhecer a paisagem e a fauna típicas de Cuiabá, pode visitar por exemplo o Parque Mãe Bonifácia (na área central da cidade) ou o zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Na hora do almoço, vale passar pelo Distrito da Passagem da Conceição. Às margens do Rio Cuiabá, o local é conhecido por abrigar restaurantes com comidas típicas. Fica a menos de meia hora da capital. Antes de partir para o estádio, é possível aproveitar a vista privilegiada

Fan Fest: Shows sertanejos e apresentações regionais vão marcar a Fifa Fan Fest de Cuiabá. A estrutura está montada no Parque de Exposições Jonas Pinheiro e tem capacidade para 56 mil pessoas. Nesta sexta, se apresentam DJ Tomate, o grupo de dança e música Congo de Livramento, o ator André D’Lucca, que msotra a personagem Almerinda, o cantor Lukas Gabriel e Leandro Sapucahy.

Depois do jogo: Como o jogo vai terminar por volta das 20h, quem conseguir sair rapidamente do estádio pode passar pela feira Arte na Praça, na Praça Santos Dummont, que tem barracas de artesanato e comidas típicas e fica aberta até as 22h30. Para aproveitar o fim de noite, há a Praça Popular, na área central da cidade. Um dos pontos mais movimentados das madrugadas cuiabanas, ele é cercado por bares e restaurantes. Vale conferir ainda o Guia de Cidades do G1.

Previsão do tempo: Sol com algumas nuvens. Veja previsão completa

Cuiabá é eleita e mergulha em obras
Escolhida em detrimento de outras cidades, incluindo a vizinha Campo Grande (MS), Cuiabá teve de provar que tinha condições de sediar o mundial. O desafio foi construir em um curto período de tempo uma grande quantidade de obras de mobilidade urbana. Foi dado início a 56 projetos, avaliados em mais de R$ 2,3 bilhões, e ao longo dos últimos quatro anos o trânsito da cidade se tornou caótico com trincheiras, tapumes e desvios em diversos pontos da cidade.

Os bloqueios em várias vias para a execução das obras e rotas alternativas de trânsito alteraram a rotina do cuiabano. As mudanças geraram um desgaste e o sentimento de patriotismo ficou em segundo plano. Enquanto anfitriões, também existiu a preocupação em relação à imagem que os turistas iriam levar da cidade após a Copa. Quando faltava menos de um ano para o evento, as obras começaram a ficar prontas, mas até a Copa menos da metade foi entregue.

Algumas que foram liberadas para o tráfego ainda precisam de acabamento e três delas passaram por retoques logo depois da construção. A culpa pela demora é atribuída a alterações nos projetos, burocracia nas desapropriações e problemas nas redes de água, esgoto e energia. Até a Copa, 24 obras foram entregues e liberadas. A cidade foi maquiada para minimizar a imagem deixada com as obras inacabadas, com o plantio de grama nos canteiros das principais avenidas e pintura das obras sem acabamento.

Emprego, turismo e déficit na rede hoteleira
As vagas de emprego ofertadas para atuar nas obras de mobilidade urbana e na construção da Arena Pantanal atraíram novos moradores para a capital. Parte dessas vagas foi preenchida por haitianos. Segundo dados da Pastoral para Migrantes, cerca de dois mil haitianos chegaram a Cuiabá nos últimos dois anos. A barreira da língua também vem sendo superada a partir de cursos de português oferecidos gratuitamente pelas instituições de ensino.

Apesar de Mato Grosso atrair turistas por conta do Pantanal mato-grossense e de Chapada dos Guimarães, a 65 km da capital, independentemente da época, Cuiabá não é considerada rota do turismo e nunca recebeu tantos turistas como agora. Isso também foi motivo de preocupação, inclusive do governo federal. Para suprir o déficit de mais de 8 mil leitos da rede hoteleira, se investiu na hospedagem alternativa. Os cuiabanos tiveram de acomodar torcedores em suas casas e alugar imóveis por temporada. Alguns torcedores mochileiros ficaram em barracas em diversas áreas de camping no entorno da cidade.

Em meio à insegurança para receber milhares de turistas, Cuiabá começou a entrar no clima da Copa na última semana após a chegada dos primeiros turistas chilenos e australianos. Os torcedores chegaram à capital para assistir ao primeiro jogo do mundial, na Arena Pantanal. Também foi na última semana que ruas começaram a ser decoradas em verde e amarelo e carros passaram a ser vistos nas principais avenidas com bandeiras do Brasil à mostra.

No total, Cuiabá receberá quatro jogos na Copa do Mundo. Além da partida desta sexta-feira, na próxima semana, dia 17, vão se enfrentar na Arena as seleções da Rússia e Coreia do Sul. Nigéria e Bósnia entram em campo no sábado (21). E a partida de encerramento da Arena Pantanal na Copa do Mundo será entre Japão e Colômbia, no dia 24 de junho.

Fonte G1.com