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MPF investiga Eraí Maggi em esquema de desmatamento no Pará

Marcia Jordan

27/07/2016 às 19:06

MPF investiga Eraí Maggi em esquema de desmatamento no Pará

b348cc233be877be9d7c5ce284303872O Ministério Público Federal (MPF) investiga a participação dos irmãos Eraí Maggi (PP) e Elusmar Maggi, em um grande esquema de desmatamento já detectado na Amazônia e que ainda está em andamento. No último dia 21 de julho, o MPF solicitou informações ao grupo JBS, à Amaggi e ao grupo Bom Futuro sobre transações comerciais realizadas com integrantes da família Junqueira Vilela.

Eles são acusados de liderar um grupo que pratica desmatamento e grilagem de terras públicas no sudoeste do Pará. Segundo informações divulgadas pelo MPF do Estado do Pará, a Receita Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Polícia Federal, identificaram que entre 2012 e 2015, o grupo Amaggi, através de Elusmar e Eraí Maggi, transferiram R$ 10 milhões para Antônio José Junqueira Vilela Filho, conhecido como AJ ou Jotinha, e Ricardo Caldeira Viacava (cunhado de AJ).

No mesmo período, pela JBS foram transferidos R$ 7,4 milhões a AJ e a uma irmã de AJ, Ana Paula Junqueira Vilela Carneiro.

Como esses valores podem ter sido usados para compra de grãos ou animais procedentes de áreas desmatadas ilegalmente, o MPF solicitou esclarecimentos dos compradores, pois pela lei “a responsabilização civil por dano ao meio ambiente pode, em tese, atingir as empresas compradoras”.

Os procuradores investigam a movimentação de R$ 1,9 bilhão entre 2012 e 2015 que destruiu 300 quilômetros quadrados de florestas – uma área equivalente ao território do município Belo Horizonte (MG). Segundo o MPF, o prejuízo ambiental foi de R$ 420 milhões.

No dia 30 de junho, a PF desarticulou a quadrilha que atuava com grilagem de terra e desmatamento na região de Castelo dos Sonhos e Novo Progresso, no sudoeste do Pará.
Acusado de ser chefe da quadrilha, o pecuarista Antonio José Junqueira Vilela Filho se entregou oito dias depois de

deflagrada a operação da Polícia Federal, do Ibama e do Ministério Público Federal
“Operação Rios Voadores”

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram hoje (30) uma operação para desarticular a maior organização criminosa especializada em desmatamento ilegal e grilagem de terras públicas federais na Amazônia brasileira. De acordo com a Receita Federal, a quadrilha movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2012 e 2015.

Batizada de Rios Voadores, a operação foi deflagrada nos municípios de Altamira e Novo Progresso, no Pará, e nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Noventa e cinco policiais federais,15 auditores da Receita e 32 analistas do Ibama, com o apoio de duas aeronaves, começaram a cumprir hoje 51 medidas judiciais: 24 prisões preventivas, 9 conduções coercitivas e 18 mandados de busca e apreensão em empresas e residências.

A quadrilha está sendo investigada há dois anos. O principal alvo da operação é o pecuarista paulista Antonio José Junqueira Vilela Filho, suspeito de ter desmatado mais de 29 mil hectares entre 2012 e 2014. Ele ainda não foi preso e é considerado foragido pela polícia.

Vilela Filho é acusado de crimes como organização criminosa, desmatamento ilegal, grilagem, ocultação de vantagens econômicas, entre outros. Segundo os investigadores, o pecuarista criou empresas de fachada e usou a família para lavar o dinheiro ilícito. Além dos processos criminais, Vilela Filho deverá pagar multa de R$ 119 milhões pelos crimes ambientais.

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, disse que o grupo criminoso agia de forma organizada, como uma empresa. “Estamos lidando com o crime organizado, com gente que investe pesado em tecnologia.” A organização está dividida em núcleos: um operacional, que faz o desmatamento; um para a compra e venda de áreas desmatadas ilegalmente; um financeiro e um núcleo familiar, para a dissimulação das vantagens econômicas obtidas ilegalmente. Além de desmatar as áreas invadidas, o grupo arrendava as terras para atividade agropecuária.

Os núcleos, segundo a investigação, são subdivididos em grupos como o de agenciadores de mão de obra, de gerentes das fazendas desmatadas ilegalmente, dos testas de ferro e dos agrimensores, responsáveis por fazer cadastros ambientais fraudulentos.

 

 

 

 

Fonte Folhamax