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Em depoimento da Operação Sodoma, empresário diz que pagamento de propina era “de praxe”

Marcia Jordan

10/08/2016 às 17:21

Em depoimento da Operação Sodoma, empresário diz que pagamento de propina era “de praxe”

mischur-minoriEm depoimento na 7ª Vara Criminal, o empresário e delator premiado Júlio Minori contou a juíza Selma Rosane Arruda que o pagamento de propina no Governo do Estado era algo “de praxe”. Minori também alegou que sofria pressão para assinar cheques de até R$ 280 mil ao ex-secretário Pedro Elias.

Além dele, a magistrada também ouvirá o empresário Willians Mischur, dono da empresa Consignum. Mischur admitiu ter pago R$ 700 mil em propina ao ex-governador Silval Barbosa para não perder o contrato de sua empresa com o governo.

Na data de ontem (09), a magistrada ouviu o empresário Frederico Muller Coutinho, empresário no ramo de factoring. Antes dele, também foi ouvido seu primo e ex-sócio, Filinto Muller. Ambos receberam seis cheques do procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Filho (vulgo “Chico Lima”), totalizando R$ 500 mil. A transição fazia parte do esquema de fraudes, desvios e lavagem de dinheiro desbaratado pela operação.

Acompanhe:

17h43 – O empresário Gustavo Bomgiolo fala o MPE. Ele é o antigo dono de um terreno comprado na Avenida Beira Rio por R$ 13,5 milhões com dinheiro supostamente proveniente de propina. Bomgiolo revela que foi procurado pelo correntista, chamado, Ricardo, para efetuar a venda do terreno. Entretanto diz ao MPE que não sabia quem era o interessado na compra, sabe apenas que um deles era o arquiteto José da Costa Marques.

Ele diz que nunca tomou conhecimento, à época, que o verdadeiro interessado não era a Matrix Sat Rastreamento de Veículos [empresa de José da Costa Marques].Somente tomou conhecimento que o interessado no negócio era César Zílio e que a compra do terreno foi suspotamente utilizada para lavagem de dinheiro quando estourada a segunda fase da Sodoma.

“Fiquei assustado pela possibilidade desse cheque que me passaram ter sido oriundo de propina”, afirma.

O empresário também confirma que recebeu depósitos de César e Antelmo Zilio (pai de césar Zílio) eda empresa Casa da Engrenagem, que é um TED da Consignum.

Bomgiolo admite não saber quem efetivamente comprou o terreno, quem é o proprietário dele. Mas afirma que recebeu o valor integral referente a venda. Questionado pela defesa de Chico Lima se o ex-governador Blairo Maggi – pai de um dos sócios da testemunha – tinha interesse no terreno em questão, ele nega.

15h48 – Ao MPE, o então superintendente de aquisição da SAD, Nelson Corrêa Viana (atual secretário adjunto da Sedec), conta que até 2011, quando deixou a secretaria percebeu que houve mudanças no modo de atuação perante as licitações da pasta. Ele nega, no entanto, ter percebido qualquer interferência nas licitações. “Quando a licitação vinha de cima para baixo eu já ficava de olho e a partir de fevereiro (de 2011) houve uma frequência maior disso”, afirma Nelson.

A testemunha revela que muitas exigências desnecessárias foram feitas de modo a fraudar os processos de licitação. Entre 2010 e 2011 “houve uma mudança na forma como aquilo estava sendo conduzido”, reitera.

Nelson Corrêa afirmou a defesa dos réus efetivamente nunca viu ou ouviu qualquer fraude sendo realizada à licitação da SAD. Também nega ter sido coagido ou que tenham lhe oferecido qualquer vantagem indevida.

12h56 – Julio Minori Tsuji, colaborador premiado da Sodoma 2, explicou ao Minisstério Público Estadual (MPE) como foi realizado o pregão de 2011 em que sua empresa sagrou-se vencedora. Ele conta que sofria abordagens no sentido de que era necessário falar com César Zilio, o “chefe”, sobre o fato de outras empresas ter interesse no contrato. Zilio teria conversado com o delator em seu gabinete, quando foi informado da importância a ser oferecida de 20% sobre o valor do contrato em propina. Em um fraudado pregão, apenas sua empresa apresentou proposta.

Pagamentos de propina a César Zílio eram “geralmente feitos na própria secretaria”, diz o empresaário. Todos os pagamentos eram feitos em dinheiro, exceto duas situações em que cheques foram oferecidos, explica Mischur. Os cheques “foram utilizados para comprar um terreno, não sei que terreno é esse”, afirma. De acordo com Mischur,os cheques foram pagos até a saída de César Zílio, de 2012 para 2013, quando posteriormente o cargo foi ocupado por Pedro Elias. Pedro se identificava como sendo “assessor”. E acrescenta, “ele me disse que toda essa tratativa seria feita com ele”.

Segundo o delator, o pagamento da propina era sempre no gabinete de Pedro Elias. Em 2015, o empresário relata que teria sofrido pressão de Pedro Elias para assinar cheques que chegaram a R$ 280 mil. O delator explicou que não sabe qual o destino dado aos cheques.

Júlio Minori também fala sobre Bruno Saldanha, fiscal de contratos da Secretaria de Administração (SAD). “Bruno Saldanha periodicamente vinha pedir dinheiro. Pedia ajuda ora pra pagar cartão de crédito, ora pra pagar o carro”.

Sobre Franscisco Filho, o Chico Lima, diz que “ele sempre fazia comentários em cima do meu contrato”. Ele revela que chegou a receber cheques, sacar o valor e entregar ao procurador aposentado. “Ele também pediu para quitar um boleto”.
Chico Lima também teria pedido para que boletos fossem pagos a ele. O pedido foi atendido pelo colaborador.

Em relação ao coronel José Jesus Nunes Cordeiro revela. “Ele passava e falava: ‘ôu deixa eu te mostrar uma coisa aqui’. E então ele me mostrava outras empresas interessadas no contrato e dizia ‘olha, estão tentando te derrubar. Acerta logo o cheque’”.

No depoimento, Minori também afirma: “pagamento de propina era de praxe naquele ambiente [Estado]”