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DUAS

Duas pessoas infectadas pelo vírus HIV por dia em Mato Grosso

Marcia Jordan

19/08/2016 às 07:23

Duas pessoas infectadas pelo vírus HIV por dia em Mato Grosso

arquivos_853_conteudo_posts_427290_jpg_350_350_1_0__A expressão “saltar no escuro” é usada para demonstrar o desconhecimento de algo que está em um futuro próximo, mas que, por algum motivo, é preciso ser enfrentado. Para os românticos, há um ‘quê’ de mistério, que muitas vezes serve para valorizar aquilo de bom que pode ser encontrado na situação seguinte, após o breu.

Numa outra versão, essa situação de lidar com algo incerto é mais percebida como inconsequência. Talvez a segunda visão esteja mais próxima do quadro de infecção pela Aids em Mato Grosso, mas o termo mais usado por especialistas em saúde pública é ‘‘banalização’’.

Há três anos Mato Grosso entrou em uma sequência com média de duas pessoas infectadas pelo vírus HIV diariamente, com maior incidência entre jovens dos 13 a 29 anos. Segundo balanço da Secretaria Estadual de Saúde (SES), em 2013 foram registrados 743 casos (2,03 ocorrências/dia); no ano seguinte, as ocorrências subiram para 774 (2,12); em 2015 houve redução para 572 diagnósticos, mas a incidência continuou preocupante (1,56). Só neste ano, já houve registro de 49 casos.

No mesmo período, ainda conforme a SES, 614 pacientes morreram por causa da doença: 195 em 2013; 209 em 2014; 188 em 2015 e 22 em 2016, até o mês de junho. Outro fator preocupante pode ser demonstrado pelo registro de pessoas com o vírus HIV, fase em que a doença está incubada, sem manifestação. Desde 2013, há identificação de 1.026 pessoas.

O médico infectologista Ivens Cuiabano diz que o quadro de Mato Grosso se assemelha ao de outros Estados no Brasil, que apresentaram aumento de casos. Conforme o Ministério da Saúde, foram registrados 43 mil em 2010 e 44 mil em 2015. No mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta para o perigo de ressurgimento de uma epidemia da Aids.

“O serviço público de saúde precisa fazer um trabalho mais forte, principalmente entre homossexuais que voltam a ser público com maior incidência de doença. É necessário melhorar o atendimento médico para doenças que podem surgir em decorrência da Aids, como a deficiência dos rins, também aumentar o número de médicos, para possibilitar tratamento detalhado”, diz.

Para o médico de infectologia Ivens Cuiabano, o menor número, no entanto, não deve ser entendido como redução da incidência. Isso indica que os pacientes já começam o tratamento da doença numa fase de desenvolvimento, o que dificulta a reversão do quadro. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, para cada caso identificado, outros três são estimados em uma situação em que o próprio portador desconhece.

O infectologia diz que isso pode indicar grande probabilidade de o número de casos identificados aumentar nos próximos anos em Mato Grosso. Ele não descarta que o cenário de infecção retorne à década de 1980, quando os primeiros casos de infecção foram registrados no País.

“É claro, morriam mais pessoas logo que a doença foi descoberta. Hoje se fizer o tratamento adequado, ela pode nem morrer por causa da Aids, mas por um outro motivo. O problema é que fica difícil explicar o que está acontecendo. Há mais informação do que antes, métodos de prevenção, mas nós estamos em uma nova fase de epidemia da doença”, comenta.

O aumento da doença em um público considerado inesperado faz a evolução aparecer como epidemia.
Ele enfatiza que o uso de preservativo continua sendo o método mais eficaz para prevenir a doença. Apesar de não garantir 100% de proteção, não existe alternativa mais segura para o relacionamento sexual. “Nós deixamos uma margem de cinco pontos percentuais para a situação de acaso, que pode acontecer, mas não é a regra, e é um produto disponível na rede pública de saúde. Agora, como vou te explicar o que está acontecendo? Há um grande fator de desleixo da população”.

Dez cidades têm mais de cem diagnósticos

Conforme balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES), dez cidades em Mato Grosso têm mais de 100 pacientes diagnosticados com Aids, entre 2010 e 2016. Cuiabá aparece bem à frente, com 986 casos, seguida por Rondonópolis, onde há 620 diagnósticos. Várzea Grande aparece logo em seguida com 370 casos, Sinop (197), Tangará da Serra (151), Sorriso (137), Primavera do Leste (136), Cáceres (134), Barra do Garças (107), Juína (102).

Três municípios têm quadro de diagnósticos entre 50 e 100 pacientes – Nova Mutum (71), Alta Floresta (58) e Lucas do Rio Verde (58). Os outros 122 municípios possuem quadro que variam entre 1 e 49 pacientes.
Balanço da SES aponta também que entre 2007 e 2016, 64 crianças e adolescentes, com idade entre 1 e 14 anos de idade, foram diagnosticados com a Aids em Mato Grosso. A maioria está na faixa etária de 1 a 4 anos, com 30 casos – 16 do sexo masculino e 14 do sexo feminino.

 

 

 

Fonte O Circuito