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IML: família espera exame há 3 semanas

Marcia Jordan

08/10/2016 às 07:51

IML: família espera exame há 3 semanas

496074O drama de uma família de Campo Mourão, no Paraná, pode estar longe de chegar ao fim. Há três semanas o corpo do motorista Olívio Backes, 53 anos, está no Instituto Médico Legal (IML) de Sinop, em Mato Grosso, esperando a liberação. A falta de reagente para o teste de DNA, que comprovará ou não a identidade da vítima que teve o corpo carbonizado, é o motivo da demora.

Cristina de Alcântara Backes, filha de Olívio, afirma que, à medida que o tempo passa, a dor vai aumentando. Ela frisa inclusive que já foi informada pelo IML que a espera pela liberação do corpo pode chegar até cinco meses. “Não bastasse a dor da perda, a burocracia trouxe ainda mais transtornos à família”, diz.

Olívio Backes era caminhoneiro e estava em Mato Grosso a trabalho. Ele morreu após se envolver num acidente com três carretas em um trecho da BR-163 entre Sorriso e Lucas do Rio Verde. O veículo em que ele estava pegou fogo.

Cristina conta que foi até Sorriso para fazer a coleta da amostra de sangue para o DNA. Mas, desde então, tem vivido dias de tormenta por não conseguir uma resposta concreta por parte do órgão. No IML de Sinop, Cristina foi informada que o exame é feito apenas em um laboratório credenciado, neste caso em Cuiabá. Contudo, a falta de reagente estaria prolongando ainda mais o sofrimento da família que quer apenas enterrar seu ente querido.

“Primeiro disseram que não tinham. Depois falaram que compraram e que iam liberar, mas até agora nada e não temos uma posição de ninguém. Isso chega a ser desumano e cruel com a gente. Porque não conseguimos nem enterrar meu pai. É lógico que não vamos tê-lo de volta como queríamos, mas queremos pelo menos um enterro digno, ter um lugar para ir acender uma vela e rezar por ele”, disse emocionada.

Cristina diz ainda que a família se propôs até mesmo a arrecadar dinheiro para a compra do reagente para o exame. Ela acredita que o pai tenha tido um mal súbito enquanto dirigia e que, por isso, colidiu na traseira do veículo da frente. “Meu pai tinha 34 anos de profissão. Nós acreditamos que ele tenha tido um mal súbito, jamais iria colocar a vida de outros em risco se não tivesse acontecido algo com ele”.

Olívio estava em Sorriso havia três dias. No momento do acidente, estava indo realizar um carregamento de adubo em Nova Mutum. As outras vítimas que estavam em outros veículos foram encaminhadas com ferimentos leves para uma unidade de saúde.

OUTRO LADO – Em nota, a assessoria de imprensa da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) afirmou que a liberação do corpo da vítima em questão está dependendo da realização de exame de DNA para a sua identificação. Porém, a demora na identificação ocorre devido à falta do reagente de amplificação no Laboratório Forense. “A compra do insumo está em andamento, mas só deverá ser concluída em 15 a 20 dias”, disse.

A Politec afirmou ainda que obteve a ajuda de um parceiro para tentar amenizar a situação, enquanto isso. O equipamento oferecido está em testes para verificar se pode atender ao tipo de exame exigido. O teste, se bem-sucedido, vai permitir a realização deste exame e de outros que aguardam identificação. “A falta dos reagentes se deu em razão de um processo de compra que foi apenas parcialmente alcançado. De 13 lotes lançados, sete foram desertos ou não atingiram o preço”, confirmou.

 

 

Fonte Aline Almeida