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CUIABÁ

Cuiabá faz ‘gambiarras’ para a Copa a menos de uma semana do 1° jogo

Marcia Jordan

06/06/2014 às 08:26

Cuiabá faz ‘gambiarras’ para a Copa a menos de uma semana do 1° jogo

A menos de uma semana de sediar sua primeira partida na Copa do Mundo, a capital mato-grossense tem para oferecer aos visitantes uma estrutura urbana baseada em obras entregues parcialmente e de utilização improvisada.

Sob comando do governo estadual, o pacote de projetos de mobilidade urbana prometido para preparar Cuiabá não foi concluído nem pela metade, reservando a mato-grossenses e turistas um cenário repleto de “gambiarras” ou trechos de obras “maquiadas”.

De acordo com o último balanço da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), apenas 39% das obras prometidas para o evento mundial devem ficar prontas até o dia da primeira partida em Cuiabá, entre Chile e Austrália, na Arena Pantanal.

Aeroporto

No caminho de quem chegar a Cuiabá por avião, o principal terminal aeroportuário de Mato Grosso é o primeiro exemplo de obra conclusa apenas parcialmente. Localizado em Várzea Grande (cidade da região metropolitana da capital), o aeroporto Marechal Rondon ainda passa por obras de ampliação,  mas não deverá oferecer ao passageiro sequer uma área de alimentação e serviços mais ampla.

Também não deverão estar em operação parte do embarque internacional e duas das quatro pontes de embarque (fingers) previstas, segundo apontou relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em maio. À época, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) preferiu não comentar o relatório.

VLT: ‘Maquiagem’ nas ruas

Logo ao sair do aeroporto, o visitante poderá enxergar um viaduto, as bases de uma estação e o trecho inicial da mais cara obra prometida pelo governo estadual para a Copa do Mundo, o metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o qual sequer entrará em operação antes de 2015 – conforme já admitiu o governo.

Ao custo de R$ 1,477 bilhão, a obra tinha prazo contratual de entrega para março deste ano, quando deveriam estar instalados e espalhados 22 quilômetros de trilhos pela região metropolitana, num novo sistema de transporte coletivo.

O visitante poderá conferir um esboço dessa promessa ao longo do caminho em algumas das principais artérias da malha urbana, como as avenidas João Ponce de Arruda e da FEB, em Várzea Grande, e as avenidas da Prainha, Historiador Rubens de Mendonça (do CPA), Fernando Corrêa da Costa e Coronel Escolástico, em Cuiabá.

No caminho até Cuiabá, o visitante vai perceber que a principal ponte de ligação das duas cidades estará com obras paradas. A ideia inicial era ampliar a capacidade da ponte para a passagem do VLT, mas os trabalhos se atrasaram e, agora, elas deverão permanecer paradas durante a Copa.

Durante esse período, a parte antiga da ponte deverá ser liberada para dar fluidez ao trânsito, assim como demais trechos de intervenções do VLT que, fora do prazo, terão os trabalhos interrompidos para liberar o tráfego. Já o TCE diz que nem o trecho prioritário do VLT – entre o aeroporto e o porto de Cuiabá – deve ficar pronto até o mundial.

Nas demais vias urbanas afetadas pelo VLT, o consórcio responsável pelas obras chegou a realizar escavações para instalações de trilhos ou abertura de trincheiras previstas no conjunto do projeto. Entretanto, como já se sabe que nada sairá do papel até a Copa, o consórcio responsável está plantando grama nos canteiros centrais destruídos para amenizar a paisagem.

Centros de treinamento inacabados

Se o público corre o risco de ter dificuldades no trânsito, as oito seleções com jogos marcados em Cuiabá já sabem que não terão centros oficiais de treinamento (COT) completos – apenas gramados, segundo apontou o TCE. Relatório do órgão mostrava que, até final de abril, os dois centros – COT da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o COT da Barra do Pari – tinham atingido respectivamente apenas 65% e 70% de conclusão. A Secopa não quis comentar o relatório.

Fan fest de última hora

Devido ao atraso na licitação, o Fifa Fan Fest – estrutura exigida pela federação internacional de futebol para a Copa – também precisou passar por adequações para que sua entrega fosse possível.

Depois de duas tentativas de licitação malsucedidas, o governo resolveu reduzir a complexidade do projeto – que antes incluía intervenções para revitalizar a região da orla do rio Cuiabá. Por fim, decidiu-se que o Fan Fest seria nada mais que um espaço para transmissão dos jogos em telões na antiga arena de rodeio do Parque de Exposições Jonas Pinheiro, com estrutura para shows e para os patrocinadores do mundial. A estrutura ainda está sendo montada pelo Sindicato Rural de Mato Grosso, que entrou em acordo com o governo para executar o trabalho após as tentativas de licitação.

Estacionamento incompleto

No intuito de atender à demanda da Arena Pantanal, o governo estadual teve de desistir do projeto de um estacionamento nas proximidades do estádio. Isso porque a área prevista para as obras era justamente o terminal atacadista de Cuiabá, de onde a Prefeitura não conseguiu retirar os feirantes.

Assim, patrocinadores, pessoas ligadas à Fifa e equipes de comunicação terão de estacionar seus veículos no espaço do Círculo Militar e numa pequena área de estacionamento construída logo no entorno do estádio e que, antes, seria destinada a torcedores VIP e de camarotes.

G1