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Alvos do Gaeco usam “codinomes” e trocam telefones a cada 15 dias em MT

Marcia Jordan

02/12/2016 às 07:29

Alvos do Gaeco usam “codinomes” e trocam telefones a cada 15 dias em MT

A organização criminosa que atuava na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), investigada na Operação Rêmora, tinha funções pré-definidas para cada integrante e um cuidado excessivo para tentar evitar que o grupo fosse descoberto pelo Gaeco (Grupo de Atuação Epecial de Combate ao Crime Organizado). Entre as medidas tomadas estava a troca de chips de telefones celulares de 15 a 30 dias, além de aparelhos pré-pagos específicos para o contato entre eles.

De acordo com a delação feita pelo empresário Giovani Belatto Guizardi, a organização criminosa tomava cuidados para não ser descoberta. Ele contou que comprou aparelhos celulares e que os chips eram trocados a cada 15 ou 30 dias.

O grupo separava 5% do total de propinas para custeio dessa operacionalização e outros gastos, como aluguel de escritório, energia e outros gastos. Guizardi conta que foi formado um “núcleo de agentes públicos”, formado segundo Guizardi pelo ex-Secretário de Educação, Permínio Pinto Filho, Wander Luis dos Reis, ex-Superintendente de Infraestrutura Escolar, Fábio Frigeri, ex-assessor especial da Seduc, além de Juliano Jorge Haddad, ex-servidor e parente de Ésper Haddad, indicado por ele ao cargo.

A delação de Guizardi afirma que a função de Permínio era a de “liderar a organização criminosa e poder de decisão nas atividades ilícitas”. A função de Wander Luis dos Reis era a de receber informações de Frigeri e que tinha como ferramenta a suspensão das medições da obra e, consequentemente, o atraso nos pagamentos.

Frigeri era considerado, segundo o depoimento, “braço direito” e atuava diretamente nos contratos, obras, medições, aditivos e reajustes de preços. Juliano Jorge Haddad era o responsável pela área de licitação e atendia os pedidos de Luiz Fernando Rondon e Fábio Frigeri.

O depoimento de Giovani Guizardi conta que existia outro “núcleo de agentes políticos” formado pelo deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Guilherme Maluf (PSDB) e o deputado federal Nilson Leitão (PSDB). Segundo a delação, Leitão foi responsável por indicar Permínio Pinto e Fábio Frigeri e que Guilherme Maluf indicou Wander Luis dos Reis e, posteriormente, Moisés Dias da Silva, para substituir Wander, após receber reclamações do ex-secretário.

CONDINOMES

Guizardi afirma também que ele, Fábio Frigeri e Wander Luiz dos Reis, combinaram codinomes, geralmente representando cores, cidades ou países. Cada integrante da organização tinha sua função específica e bem definida.

O chamado “núcleo de operações” era composto por Luiz Fernando Rondon, Ésper Haddad, Ricardo Sguarezi, Leonardo Guimarães Rodrigues, Éder Alberto Meciano e Edézio Ferreira da Silva. Segundo o depoimento de Guizardi, a função de Luiz Fernando Rondon era a cobrança de propina de medições atrasadas e distribuição de obras.

Ésper Haddad era responsável por dividir as obras e orientar os demais membros do “núcleo”. Distribuir as obras também era função de Éder Alberto Meciano, Ricardo Sguarezi e Leonardo Guimarães Rodrigues, que também era responsável pela formatação de preços. Edézio Ferreira da Silva era o responsável pela elaboração dos editais e a alteração dos valores das composições individuais de preços da tabela da Seduc.

 

 

Fonte Folhamax