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EX-DEPUTADO

Ex-deputado revela que Dante repassou R$ 22 mi para AL pagar dívida com Arcanjo

Marcia Jordan

30/11/2016 às 17:28

Ex-deputado revela que Dante repassou R$ 22 mi para AL pagar dívida com Arcanjo

O ex-deputado estadual José Riva (sem partido) presta depoimento nesta quarta-feira (30) em mais de 15 ações penas em que figura como réu pela suspeita de peculato (apropriação indevida do dinheiro público) e formação de quadrilha e que são desdobramentos da Operação Arca de Noé da Polícia Federal. A expectativa é que o ex-deputado decida contribuir com a Justiça e optar pela confissão, o que levaria a ter uma pena reduzida em uma eventual sentença condenatória.

No pedido de reinterrogatório, a defesa informou que Riva pretende esclarecer fatos que não foram por ele elucidados em depoimentos anteriores.

Todos os processos criminais são oriundos da Operação Arca de Noé da Polícia Federal na qual foi desmantelado um suposto esquema de corrupção abrigado na Assembleia Legislativa. A operação foi deflagrada em 2002 e culminou com a prisão do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro.

Pelas investigações do Ministério Público Estadual (MPE), a Mesa Diretora do Legislativo, liderada pelos deputados estaduais José Riva e Humberto Bosaipo, emitiam cheques para empresas fantasmas com o intuito de pagar por serviços que jamais foram prestados. Esses cheques viriam a ser trocados em factorings de propriedade do bicheiro João Arcanjo Ribeiro para pagar despesas de campanha eleitoral e, ao mesmo tempo, favorecer o enriquecimento ilícito dos agentes políticos envolvidos.

Acompanhe depoimento em tempo real:

16h30 – Riva reafirma que não foi o responsável pelas dívidas da AL com Arcanjo. “Posso garantir que essa dívida não é da minha época. 80% dela já existia”, disse.

O ex-deputado também falou que a Assembleia não tinha dinheiro para pagar as propagandas institucionais nos veículos de comunicação. Ele conta que uma vez “passou vergonha” quando um jornalista lhe cobrou R$ 12 mil e a Assembleia não tinha como pagar”. Diz ainda que uma rádio de João Arcanjo recebeu R$ 4,5 mil sem prestar qualquer serviço a Assembleia.

16h25 – José Riva conta que, em determinado momento, o ex-governador Dante de Oliveira aceitou repassar R$ 22 milhões para que a Assembleia regularizasse suas dívidas. Segundo ele, era repassado R$ 700 mil por mês para quitar as promissórias emitidas pelo ex-comendador.

Riva afirma ainda que Dante de Oliveira sabia que a Assembleia tinha dívidas com o ex-bicheiro e o dinheiro seria usado para pagá-las. Ele conta ainda ter recebido ameaças do ex-comendador. “Se não passage, o Arcanjo ia na Assembleia ameaçar, fazer escândalo”, disse.

16h22 – O ex-deputado explica que a situação foi ressolvida quando firmou uma parceria com o Banco do Brasil e conseguiu regularizar os salários dos servidores públicos. Em relação a dívidas com factorings, diz que elas não aumentaram, mas também não acabaram.

Diz que as empresas de fachada surgiram a partir de 1999 e 2000. Algumas já existiam e outras foram abertas. Num determinado momento o deputado Humberto Bosaipo o chamou e disse que tinha como resolver a questão das dívidas em expor os fornecedores.

O Nilson Teixeira (contador da Confiança Factoring, de João Arcanjo Ribeiro) foi um dos criadores de algumas dessas empresas. Nesse contexto também entram os irmãos Joel e José Quirino réus na maior parte das ações penais. “Não sei até onde vai a participação deles na abertura dessas empresas”, relata Riva.

16h16 – José Riva conta que, quando assumiu, 65% da dívida da Assembleia era com as empresas de João Arcanjo Ribeiro e o restante com “outros agiotas”.

16h08 – O ex-deputado afirma que, quando assumiu a dívida da Assembleia era monstruosa, mas que conseguiram resolver. Porém, ele afirma que por conta da situação crítica surgiram diversas operações do legislativo com factorings, como a de João Arcanjo Ribeiro.

16h05 – Segundo Riva, os cheques depositados para a Paranorte não representam desvios de recursos. Ele disse que este “artifício” era utilizado para atender demandas de deputados e funcionários da Assembleia com combustível, passagens aéreas e materiais de consumo do próprio legislativo.

16h00 – Riva explica que, em 1995, usou cheques de uma empresa chamada Paranorte, com sede um Juara, para pagar contas da Assembleia Legislativa, uma vez que o legislativo não tinha crédito na praça. Segundo ele, os cheques da Assembleia eram depositados na conta da empresa para cobrir os gastos antes assumidos.

15h56 – A juíza Selma Arruda abre a audiência. O ex-deputado José Riva afirma que após fazer uma reflexão entendeu que não deve apenas confessar, mas também colaborar. Ele afirma que desde seu primeiro mandato na Assembleia ocupou cargo relevante na Mesa Diretora, o de 1º secretário. Ele diz que grande parte das dívidas da Assembleia era com factorings e que aceitou pagá-las. “A Assembleia não tinha crédito em Cuiabá na época em que assumi como deputado”, disse.

 

 

Fonte Folhamax