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Odebrecht ameaça parar obras da BR-163

Marcia Jordan

22/11/2016 às 10:00

Odebrecht ameaça parar obras da BR-163

As consequências da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em 2014 e que envolve empresas privadas, públicas e políticos em uma gigante teia de corrupção no Brasil, chega a Mato Grosso.

Com o maior rigor na concessão de financiamentos após os escândalos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda não liberou o empréstimo de longo prazo à Rota Oeste, concessionária da BR-163, e que pertence ao Grupo Odebrecht TransPort.

Por conta desse atraso, que completa 1 ano no início de 2017, as atividades da empresa no próximo ano correm sério risco de serem paralisadas, caso o banco de fomento não faça o aporte necessário.

As obras na rodovia tiveram início em março de 2014 e conforme o edital de licitação da concessão, o investimento total previsto é de R$ 6,3 bilhões ao longo de 30 anos.

Deste total, R$ 4,9 bilhões serão aplicados nos primeiros 5 anos de concessão, e é justamente neste bolo que estão programados os empréstimos (a longo prazo) de R$ 2,6 bilhões, a serem liberados pelo BNDES (R$ 1,6 bi) e outros bancos públicos à empresa.

Até agora, a concessionária recebeu cerca de R$ 890 milhões, em parcelas, referentes a um empréstimo-ponte, para a alavancagem das obras e tem investido como pode na continuidade das obras.

Diante das dificuldades com a liberação dos recursos provenientes dos bancos públicos, a empresa busca investidores e negocia com outras instituições, inclusive fora do país, mas sem nenhum acordo firmado até agora.

Nesta segunda-feira (21), o jornal Valor Econômico publicou uma reportagem na qual informava que a Odebrecht TransPort teria colocado à venda a concessão em Mato Grosso, o que foi negado pela empresa.

Em nota, a Rota Oeste esclarece que “a captação de um sócio estratégico para o negócio sempre fez parte de seu planejamento de estruturação financeira, desde antes de sua chegada em Mato Grosso, em 2014. Diante desta premissa, se mantém atenta a oportunidades de mercado neste sentido e avalia as diversas modalidades de parceria. Porém, ressalta que não há qualquer fato concreto a respeito do assunto”.

A empresa acrescenta ainda que, quando essa negociação for celebrada, ela não afetará em qualquer instância os trabalhos realizados na rodovia. Ao contrário, ratificará o planejamento e significará um importante avanço para o cumprimento do contrato.

Sobre a busca da Rota Oeste de um sócio, o professor da UFMT e doutor em Logística e Transportes, Luiz Miguel de Miranda, afirma que todo processo de concessão permite que os donos dela se associem a empresas, bancos nacionais e internacionais, desde que respeitem o edital de licitação e a legislação. “A concessionária jamais vai se desfazer de um contrato como esse, que é muito rentável”.

Ele acrescenta que o atraso na liberação do empréstimo pelo BNDES impacta no cronograma e aumenta os custos da empresa, que tem de recorrer a outras fontes de financiamento.
Procurado via assessoria de imprensa, o BNDES não retornou o contato.

 

 

Fonte Fabiana Reis