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EMPRESÁRIO

Empresário confessa lavagem de R$ 15,8 milhões em MT

Marcia Jordan

06/10/2016 às 07:13

Empresário confessa lavagem de R$ 15,8 milhões em MT

No acordo de colaboração premiada firmado com a Justiça, o empresário Filinto Muller confessou que foi o responsável pela lavagem de dinheiro na quantia de R$ 15,857 milhões que seria o valor superfaturado pago pelo Governo do Estado no processo de desapropriação da área do bairro Jardim Liberdade I.

Coube ao procurador do Estado aposentado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, entrar em contato com o empresário Filinto Muller e cobrar que o mesmo viesse a constituir uma empresa em nome de laranja para favorecer a lavagem de dinheiro.

Assim, foi constituída em junho de 2013 a empresa SF Assessoria e Organização de Eventos Eirelli-ME. A atividade comercial declarada foi de realização de eventos em nome de Sebastião Faria, que seria uma pessoa humilde e sem conhecimento, disposto a assinar todo e qualquer documento.

O pagamento do dinheiro após ser devidamente “lavado” foi realizado no período de abril a novembro de 2014. Inicialmente, houve o pagamento de uma parcela no valor de R$ 3,964 milhões e seis parcelas de R$ 1,982 milhão.

“Os autos indicam que foi a empresa SF Assessoria e Organização de Eventos que recebeu da pessoa jurídica Santorini Empreendimentos Imobiliários Comércio e Construção através de TEDs e emissão de cheques, a quantia correspondente a propina”, diz um dos trechos da decisão da juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda.

Da quantia desviada, R$ 10 milhões foram usados pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para quitar uma dívida de campanha eleitoral. Os outros R$ 5,8 milhões foram divididos aos seus ex-secretários de Estado Pedro Nadaf (Casa Civil), Marcel de Cursi (Fazenda), Arnaldo Alves (Planejamento), Afonso Dalberto (Intermat) e o procurador aposentado do Estado Chico Lima.

A descoberta do esquema fraudulento se deu após as delações premiadas de Antônio Rodrigues de Carvalho, dono da empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários e do ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto, bem como as confissões do ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf. A Polícia Civil ainda descobriu que o grupo político cobrou a devolução de R$ 15,857 milhões no período de abril a novembro de 2014.

A partir daí, identificou-se a participação do ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves, suspeito de integrar a organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval Barbosa. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), Arnaldo Alves, enquanto secretário de Planejamento e Gestão, solicitava e intermediava o pagamento de propinas pelas empresas que mantinham contrato com a pasta.

Na secretária de Planejamento, promoveu os ajustes orçamentários necessários em favor da organização criminosa. Todos seis presos preventivamente na operação iniciada há 10 dias seguem no Centro de Custódia de Cuiabá ou Centro de Ressocialização de Cuiabá, o antigo Carumbé.

 

 

 

 

Fonte Rafael Costa