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Assessor ganha R$ 300 mil em esquema; advogado grava deputado em MT

Marcia Jordan

06/10/2016 às 06:58

Assessor ganha R$ 300 mil em esquema; advogado grava deputado em MT

Preso na segunda fase da “Operação Ventríloquo – Filhos de Gepeto” deflagrada nesta quarta-feira, o servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Francisvaldo Mendes Pacheco, solicitou uma “comissão financeira” para intermediar o pagamento de uma dívida de forma fraudulenta do Legislativo junto ao banco HSBC no valor de R$ 9,5 milhões relacionada aos seguros de vida dos funcionários. “Dico Mendes” era chefe de gabinete do ex-presidente e atual deputado Romoaldo Júnior (PMDB), que também é investigação nas fraudes que em seu caso são conduzidas pelo Tribunal de Justiça na relatoria do desembargador Rondon Bassil.

De acordo com a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), em 2012, o advogado Júlio César Domingues Rodrigues procurou o advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo “se dizendo intermediário da Assembleia e se colocando à disposição para negociar referidos valores; aduzindo, em seguida, já no ano de 2013, que o procurador-geral daquele órgão daria parecer favorável”. Após o contato, o pedido administrativo foi feito junto ao parlamento para que a dívida fosse paga, apesar de uma ação de execução já estar tramitando há vários anos.

A quebra de sigilos feita pelo Gaeco apurou que o assessor do parlamentar peemedebista recebeu cerca de R$ 300 mil do esquema em duas formas. “Júlio César procurou resolver a questão com o à época presidente da Casa Legislativa, por intermédio do então chefe de gabinete, sendo que este último exigiu para si uma percentagem do valor que viesse a ser pago, o que posteriormente efetivamente veio a ocorrer”, diz a petição encaminhada a juíza Selma Rosane Santos Arruda, que acabou sendo deferida.

Após receber os valores miliionários em suas contas, Joaquim Mielli fez dois repasses para “Dico Mendes” que somaram R$ 241,900 mil através da empresa Canal Livre Comércio e Serviços Ltda. As transferências foram realizadas respectivamente nos meses de abril e maio de 2014 nos valores de R$ 72 mil e R$ 169,900 mil.

Ao Gaeco, o empresário Rodrigo Santiago Frison disse desconhecer o advogado que fez os repasses e que o valor depositado em suas contas se referiam aos pagamentos de empréstimos feitos pelo assessor de Romoaldo Júnior.

O servidor do Legislativo ainda recebeu outro repasse do esquema, um cheque no valor de R$ 60 mil que foi usado para quitar uma dívida contraída o empresário Fernando Luiz Piran em 2013.

DELAÇÃO, MENTIRAS E GRAVAÇÃO

Além de prender “Dico Mendes”, agentes do Gaeco cumpriram mandados de busca e apreensão em sua residência. Na primeira fase da operação em 2015, foram presos o ex-deputado estadual José Geraldo Riva; ex-secretário Luiz Márcio Bastos Pommot; e ainda o advogado Júlio César Dominguez.

Hoje, os três respondem a ação penal em liberdade. Nesta nova fase, os promotores do Gaeco pediram a anulação da colaboração premiada do advogado Joaquim Mielli por tentar blindar a participação do deputado peemedebista no esquema, o que pode fazer com o delator seja até preso nos próximos dias.

Já sobre Riva, o Gaeco questionou as confissões que o ex-parlamentar teria feito em juízo. Eles acreditam que o ex-presidente ou primeiro-secretário do Legislativo nos últimos 20 anos esteja falando “meias verdades”.

Em relação ao advogado Júlio César Domingues, após ficar preso quase um ano, mas entregar uma gravação de uma conversa com Romoaldo Júnior, se tornou colaborador da investigação. Na conversa, que deve ser divulgada nesta quinta-feira, os dois acertam a divisão e forma de repasse dos valores desviados.

 

 

Fonte Toshio Doi Jr