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PRESO

Preso pela 2ª vez, Éder Moraes deve ser levado para presídio em Brasília

Marcia Jordan

02/06/2014 às 15:45

Preso pela 2ª vez, Éder Moraes deve ser levado para presídio em Brasília

Com dois mandados de prisão expedidos contra ele, o ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Éder Moraes, encontra-se preso na sede da Polícia Federal, em Brasília, e ainda nesta segunda-feira (2) deverá ser levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, naquela unidade. Ele foi preso neste domingo (1º), dois dias depois de ter sido solto após conseguir revogar a prisão que havia sido decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na quinta-feira passada (29), o STF revogou uma das prisões de Éder Moraes, considerado o intermediador de um esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 500 milhões por meio de um ‘banco clandestino’. No dia seguinte, ele deixou o presídio e foi para um hotel de luxo, em Brasília, onde permaneceu até a madrugada de domingo (1º), quando foi preso novamente pela Polícia Federal em cumprimento a um mandado de prisão expedido pela 5ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso.

Solto por engano
De acordo com a Justiça Federal, o mandado de prisão da 5ª Vara foi cumprido durante a Operação Ararath, deflagrada no dia 20 do mês passado pela Polícia Federal. Os dois mandados de prisão contra Éder, tanto do STF quanto do TRF da 1ª região, foram cumpridos no mesmo dia. No entanto, a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal não foi revogada e, por isso, o ex-secretário deve continuar preso. Em tese, ele não deveria nem ter saído da prisão, já que a outra decisão continuava em vigor.

Ainda conforme a assessoria da Justiça Federal, a prisão preventiva não havia sido revogada até esta segunda-feira (2). A defesa do réu já ingressou com pedido de revogação junto à 5ª Vara, além de um pedido de habeas corpus no TRF da 1ª Região e uma petição no STF com a intenção de conseguir a liberdade do acusado. 

O ex-secretário de estado das gestões Blairo Maggi (PR), atualmente senador da República, e Silval Barbosa (PMDB), que está no exercício do último ano de mandato, foi preso no dia 20 de maio. Na mesma data, o deputado estadual José Riva (PSD) e o superintendente regional do Bic Banc, Luiz Cuzziol, também foram presos. Ambos no entanto, já estão soltos.

Ao pedir a prisão dele, o juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal, argumentou sobre a necessidade de mantê-lo, não só preso, como afastado do estado, pois o réu já tinha ocupado vários cargos ‘do mais alto escalão das administrações Blairo Maggi e Silval Barbosa, razão pela qual transita com muita facilidade e desenvoltura junto a quase todas as autoridades de Mato Grosso’.

Além de tentar interferir na condução dos trabalhos da Polícia Federal, supostamente por meio do promotor de Justiça Marcos Regenold, Éder Moraes teria feito contados com o empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, colaborador ‘premiado’ das investigações, desde que blindasse o senador Blairo Maggi. “Neste sentido, o investigado Éder Moraes de Dias apresentava-se como um facilitador de acesso à Polícia Federal, sob pena da família de Júnior Mendonça ser presa e sofrer graves consequências no processo penal”, diz o magistrado, no pedido de prisão.

‘Separados’
Como, tanto Éder, quanto a mulher dele, são réus no processo que tramita na Justiça Federal, o casal não deverá manter contato até a conclusão da investigação. A mulher dele, Laura Tereza Costa Dias, aparece no inquérito como suposta beneficiada do esquema. As investigações apontam que R$ 45 mil foram transferidos pela Globo Fomento Mercantil, factoring de ‘fachada’ de Júnior Mendonça, para a conta de uma empresa de propriedade dela. A factoring serviu por muitos anos aos interesses de Éder Moraes e de políticos aos quais ele servia, como diz o inquérito.

G1