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Em um ano, desmatamento cresce 52% em Mato Grosso

Marcia Jordan

11/09/2014 às 09:29

Em um ano, desmatamento cresce 52% em Mato Grosso

O desmatamento cresceu 52% em apenas um ano em Mato Grosso. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Estado desmatou 1.139 quilômetros quadrados entre agosto de 2012 e julho de 2013. Em toda Amazônia Legal, o aumento foi de 29%.

Entre agosto de 2011 e julho de 2012, período utilizado para a análise do desmatamento, o Estado havia destruído 757 km² de florestas. Com o aumento, Mato Grosso voltou para a vice-liderança do ranking da derrubada da floresta, atrás apenas do Pará, que desmatou 2.346 km². Saindo da segunda posição e voltando para a terceira vem Rondônia com 932 km².

Se comparado com o ano anterior, o aumento na Amazônia Legal foi de 29%. Entre 2011 e 2012 a haviam sido destruídos 4.571 km² de florestas da região, enquanto entre 2012 e 2013 foram desmatados 5.891 km².

De acordo com o Inpe, o valor é aproximadamente 1% acima do estimado em dezembro de 2013. Na ocasião, haviam sido computados 5.843 km² de florestas destruídas. Esta diferença aparece porque o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes) computa como desmatamento as áreas maiores que 6,25 hectares onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – o corte raso.

Conforme a avaliação do Inpe, esta é a segunda menor taxa de desmatamento na Amazônia Legal desde que o instituto começou a medi-la, em 1988, no âmbito do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes). De 2004 a 2013, a redução na taxa de desmatamento foi 79%. Naquele ano, o desmatamento foi 27.772 km² de florestas, quando foi criado o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal.

De acordo com Alice Thuault, coordenadora da Iniciativa de Transparência Florestal, da organização não governamental ambiental Instituto Centro de Vida (ICV), os dados, na realidade, apenas provam que curva do desmatamento continua subindo em toda a Amazônia.

“Basicamente, o que vemos é que o desmatamento não está sob controle. Ele continua nos mesmos municípios críticos, em fronteiras de desmatamento já conhecida sem que nenhum tipo de fiscalização seja realizada. Para se ter ideia, muitas áreas desmatadas tem mais de 25 km²”

Conforme Alice, somente 8% da área desmatada foi autorizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o que mostra a falta de fiscalização. “Mais de 90% deste desmatamento é ilegal. Se analisarmos que as queimadas e a degradação continua, vemos que não temos avanços”.

De acordo com a coordenadora, a Sema também não é transparente quanto à fiscalização, ou seja, o órgão não divulga quais locais foram multados, embargados ou se as dívidas estão sendo pagas. Soma-se a isso, o fato do órgão não cumprir o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDQ-MT), que havia sido lançado em 2009 e que venceu em 2012, e também não implementar o Código Florestal.

“Quando você não tem uma lei ou ela é pouco clara, fica difícil saber o que o governo quer do cidadão. Para muitos, é mais fácil desmatar, já que sabe que as multas dificilmente serão cobradas e muitas vezes serão pagas em muitas parcelas”.

A assessoria da Sema informou que não teve tempo hábil para analisar os dados e que por conta disso optou por não se pronunciar.